Maternidade aPita | um ano de nós

Estou sempre com saudades. E sinto que nunca me vou conseguir despedir de todas as versões do Vi. Ainda me parece tão pequenino. Mas quando olho para trás… já está tão grande.

E acho que o mais bonito de ver um filho crescer é também o mais difícil. É perceber que cada fase chega para ficar na memória… e depois vai embora.

Já faz um ano.
Um ano dele.
Um ano de mim.
Um ano de nós.

Sempre ouvi dizer que o primeiro ano passa a correr. Mas ninguém me explicou o que isso realmente significava.

Porque não é só o tempo que passa. Somos nós que mudamos.

Ele deixou de ser aquele bebé que passava o dia ao colo. Hoje anda. Comunica. Ri. Brinca. Descobre o mundo todos os dias.

E eu também cresci. Aprendi a ser mãe. Aprendi a confiar mais em mim. Aprendi que não consigo controlar tudo. Aprendi que o amor também pode dar medo. E aprendi que viver devagar é uma escolha.

Ao longo desta rubrica fui partilhando muitas fases.
O pós-parto.
A privação de sono.
O casal.
A culpa que nunca apareceu.
As viagens.
O propósito.

Mas hoje percebo que havia um fio que ligava todos estes episódios. O tempo.

O tempo passa mesmo depressa.
E talvez por isso tenhamos de escolher vivê-lo com intenção. Porque um dia vamos sentir saudades de coisas que hoje até nos fazem reclamar. Das noites mal dormidas. Da roupa espalhada pela casa. Dos brinquedos no chão. Das fraldas. Dos cocós que obrigavam a mudar a roupa toda.

Um dia tudo isto vai ser apenas uma memória.

O Vicente também veio mudar a nossa família. Mudou as nossas rotinas, as nossas prioridades.
Hoje já não temos a mesma disponibilidade. Nem física. Nem mental. Mas temos uma vida muito mais cheia. Mais completa e mais bonita.

Percebi que a felicidade nem sempre está nas grandes conquistas.
Está nas coisas simples. Num abraço, num sorriso, num “mamã”. Num fim de tarde juntos.

Se hoje pudesse falar com a Tatiana que ainda estava grávida, dizia-lhe apenas isto: Vive. Não tenhas tanta pressa. Olha mais. Sente mais. Abraça mais.

Porque um dia vais perceber que não são os grandes momentos que deixam saudades. São os dias aparentemente normais. Os que parecem iguais.

Porque afinal… são esses que constroem uma vida.

Obrigada, Vi.
Por este primeiro ano.
E obrigada a quem esteve desse lado ao longo desta rubrica.
Espero que, de alguma forma, cada episódio tenha feito companhia a alguém.
Que tenha mostrado que a maternidade não é perfeita.
Mas pode ser profundamente bonita.

Ficas por aí?

Isto foi a Maternidade aPita,

por Tatiana Pita, no The Glitter Dream.