O que eu diria à minha versão mais nova

Se te pudesse encontrar, não escolheria um momento grandioso. Não te diria isto no dia em que fizeste 18 anos, nem no dia em que achaste que já eras adulta. Escolheria um dia banal. Um dia em que estavas sentada na tua cama, a olhar para o futuro como se fosse uma coisa urgente. Porque era assim que o vias. Como uma corrida que tinhas de ganhar antes de perceber sequer onde querias chegar.

A primeira coisa que te diria é que não precisas de ter tanta pressa. Vais achar, durante muito tempo, que existe um relógio invisível a contar tudo. O amor. O trabalho. Os filhos. A vida. Vais sentir que tens de decidir rápido, escolher rápido, crescer rápido. Vais confundir movimento com direção.

E vais cometer erros por causa disso.

Vais ter medo de estudar aquilo que realmente te apaixona, porque alguém te disse que era demasiado difícil. Que não eras assim tão capaz. Que havia caminhos mais seguros. Vais escolher o que parece possível, em vez do que parece certo. E um dia, aos 30, vais perceber que o difícil nunca foi a matéria. Foi duvidares de ti.

Também vais ter pressa em amar. Vais apaixonar-te mais do que uma vez. E vais acreditar, com toda a certeza do mundo, que é para sempre. Vais construir futuros imaginários com pessoas que não vão ficar. Vais aprender, lentamente e às vezes com dor, que o amor não é apenas intensidade. É permanência. É paz. É escolha contínua.

Vais encontrar o amor várias vezes. E vais falhar várias vezes também. Mas, um dia, quase sem perceber como, vais acertar. E vai ser diferente. Não mais dramático. Não mais intenso. Mas mais tranquilo. Mais sólido. Mais casa.

Também vais querer ser mãe antes de perceberes completamente quem és. Vais sentir esse desejo como uma certeza física, como se o teu corpo soubesse algo que a tua mente ainda não conseguia explicar. E vais questionar-te se é cedo demais. Se devias esperar. Se devias viver mais primeiro. A verdade é que não existe um momento perfeito. Existe apenas o momento que é teu. E tu vais crescer com isso. Não apesar disso.

Vais perder pessoas que pensavas que ficariam para sempre. Vais afastar-te de versões tuas que já não fazem sentido. Vais sobreviver a dias em que não te vais reconhecer ao espelho. Vais sentir-te perdida, cansada e, às vezes, profundamente insegura.

Mas vais continuar.

Queria dizer-te que nem tudo vai correr como planeaste. Mas também queria dizer-te que nem tudo precisa de correr como planeaste para correr bem.

Aos 30, a tua vida não é perfeita. Ainda tens dúvidas. Ainda tens medos. Ainda tens partes de ti por descobrir. Mas já não tens tanta pressa. Aprendeste que o tempo não é um inimigo. É um aliado silencioso. Que as coisas certas ficam. Que as coisas erradas saem. E que tu sobrevives a ambas.

Se te pudesse deixar com uma única certeza, seria esta: não precisas de ser extraordinária para ter uma vida extraordinária. Precisas apenas de continuar. E vais continuar.