A ansiedade costuma aparecer nos momentos menos convenientes: antes de algo importante, quando estamos a sair da nossa zona de conforto ou quando sentimos que algo importa mais do que gostaríamos de admitir. A reação imediata é querer afastá-la ou fazê-la desaparecer, mas nem sempre esse é o caminho mais eficaz. E se, em vez de lutar contra a ansiedade, tentássemos mudar a forma como a interpretamos?
Transformar a ansiedade em força não significa deixar de a sentir, significa reajustar a narrativa. Por vezes, mudar a forma como olhamos para o que se passa dentro de nós é meio caminho andado para manter tudo um bocadinho mais sobre controlo.
Não existe uma solução universal, o que funciona para uns pode não funcionar para outros. Ainda assim, estas abordagens podem ajudar a tornar a ansiedade menos assustadora e mais compreensível. Ou, pelo menos, tentar.
1. O inner applause: reinterpretar o coração acelerado
Esta ideia surgiu-me num vídeo no TikTok (guilty). A proposta é simples, mas dá que pensar: imaginar o coração acelerado como se fosse uma plateia a aplaudir por dentro, o chamado inner applause.
Em vez de interpretar a sensação como sinal de perigo, a ideia é fazer uma releitura:
- o coração acelera porque algo importa
- o corpo está a preparar-se para o que aí vem, não a falhar
- a ansiedade transforma-se em energia
A sensação física é a mesma, o que muda é a narrativa. E isso, parecendo que não, faz toda a diferença.
2. Ver a ansiedade como bússola, não como inimiga
A ansiedade costuma aparecer em momentos específicos:
- antes de decisões importantes
- quando estamos a crescer
- quando algo nos tira do conforto
Em vez de perguntar “porque é que estou assim?”, pode ajudar perguntar:
- o que é que isto está a tentar mostrar-me?
Nem sempre a ansiedade aponta perigo, às vezes, aponta uma direção. Ninguém gosta da sensação, mas podemos tirar o melhor que ela tem para nos ensinar.
3. Pensar na ansiedade como estado de prontidão
O corpo entra em alerta porque antecipa uma ação.
- mais energia
- mais foco
- mais atenção
Em vez de ver a ansiedade como bloqueio, podemos reinterpretá-la como preparação. Talvez não estejamos a entrar em pânico, mas a preparar-nos para algo que requer o nosso máximo desempenho. Isso mostra a força do nosso corpo, não a fraqueza.
4. Trocar controlo por presença
A ansiedade vive muito no futuro, a força constroi-se no presente.
Quando a mente começa a correr, podemos:
- focar apenas no próximo passo
- reduzir o momento ao que é possível fazer agora
- trazer o corpo para o presente
Não podemos controlar tudo e está tudo bem. A chave é concentrar a nossa atenção e poder naquilo que conseguimos fazer no preciso momento. Uma batalha de cada vez.
5. Deixar a ansiedade coexistir com a coragem
Esperar que a ansiedade desapareça para agir é uma armadilha comum.
- coragem não é ausência de ansiedade
- é avançar apesar dela
- é não deixar que decida por nós
A ansiedade e a coragem podem vir juntas. Quando as recebemos, temos de escolher qual vamos destacar.
6. Reescrever o diálogo interno
A forma como falamos connosco influencia a intensidade da ansiedade.
Pequenas mudanças podem aliviar a pressão:
- “isto vai correr mal” → “não sei como vai correr”
- “não consigo” → “posso tentar”
- “não aguento” → “já aguentei antes”
Fake it ‘til you make it e, acima de tudo, sê mais justo contigo próprio.
Transformar a ansiedade em força não passa por fingir que esta não existe, nem por tentar silenciá-la. Passa por reajustar a narrativa. Pela forma como escolhemos olhar para o que sentimos e pelas histórias que contamos a nós próprios sobre essas sensações. Ver o mundo com “lentes cor de rosa” é uma fórmula subestimada para permitir que a nossa mente (e humor) saia ilesa da situação.
A ansiedade pode continuar presente, mas quando mudamos a perceção, toda a experiência muda de forma. O coração acelerado deixa de ser apenas medo, o desconforto deixa de ser sinal de fraqueza e aquilo que antes nos paralisava pode ganhar outro significado. Não porque tudo ficou mais fácil, mas porque decidimos dar-lhe outro sentido.
Não podemos controlar tudo o que sentimos, mas podemos aprender a ver as coisas de outra forma. Se mudas a forma como olhas para as coisas, as coisas para que olhas mudam. 1
#GlitterUpYourLife