Há uma coisa que eu tenho vindo a perceber sobre mim e que, sinceramente, acho que muita gente também faz:
Levar demasiadas coisas para o lado pessoal.
Demasiadas mesmo.
Uma mensagem que não teve resposta. Um convite que não surgiu. Uma atitude mais fria. Um plano que não aconteceu.
E, de repente, na nossa cabeça… já criámos toda uma história.
“Não quis saber de mim.”
“Fez de propósito.”
“Está-me a excluir.”
“Já não se importa.”
Mas a verdade é que, na maior parte das vezes, nada disso é real. A pessoa nem pensou em nós. E isto custa um bocadinho aceitar, porque o nosso ego gosta de achar que tudo gira à nossa volta. Mas não gira.
As pessoas estão focadas nas suas vidas, nos seus problemas, nas suas prioridades. E muitas das atitudes que nós interpretamos como pessoais… são, na verdade, completamente neutras.
Só que nós não vemos assim. Nós interpretamos. Nós assumimos. Nós distorcemos.
E, muitas vezes, fazemos isso com base em inseguranças nossas.
A chamada “mania da perseguição”.
Aquela tendência para achar que houve intenção, que houve maldade, que houve um motivo… quando, na realidade, foi só uma atitude simples, natural, sem qualquer segunda intenção.
E o problema é que ficamos incomodados em silêncio.
Guardamos aquilo. Criamos ressentimento. Começamos a olhar para a pessoa de forma diferente… tudo baseado numa história que só existe na nossa cabeça. E depois, claro, isso acaba por sair, em forma de distância, de frieza, ou até de confronto.
Mas baseado em quê?
Numa suposição.
E é aqui que eu comecei a questionar-me:
E se nem tudo for sobre mim?
E se, em vez de assumir, eu simplesmente… aliviar?
Aliviar o peso emocional que coloco em tudo. Não dar tanta importância a cada detalhe. Não transformar cada pequena coisa numa grande questão. Porque a verdade é que viver assim cansa. Estar constantemente a interpretar, a analisar, a tentar perceber intenções… é um desgaste enorme.
E talvez o verdadeiro desafio seja este:
Aprender a não levar tudo para o lado pessoal.
Não significa ignorar sentimentos. Não significa fingir que não nos afeta.
Mas significa dar o benefício da dúvida. Significa perceber que nem tudo tem uma intenção escondida. Que nem tudo é um ataque. Que nem tudo é sobre nós. E, acima de tudo, significa proteger a nossa paz.
Porque, no meio de tudo isto, há uma coisa que é certa:
Nem sempre conseguimos controlar o que os outros fazem.
Mas conseguimos, aos poucos, aprender a controlar a forma como interpretamos.
E isso muda tudo.
Artigo por Carolina Silva
#GlitterUpYourLife