Olá, março.

Março chega sempre com uma energia diferente. Não é tão silencioso como janeiro, nem tão pesado como fevereiro. Março é um mês de transição. Um mês onde tudo começa a descongelar, mesmo dentro de nós. Há mais luz ao fim do dia, mais ar nas manhãs e uma sensação subtil de recomeço, como se o ano só agora estivesse verdadeiramente a começar.

E talvez não seja coincidência que o primeiro dia de março seja o Dia Mundial do Elogio.

O elogio é uma das formas mais simples e mais esquecidas de transformar um dia. Não custa nada. Não exige preparação. E, ainda assim, tem o poder de alterar completamente o estado emocional de alguém. Um elogio sincero pode ficar connosco durante anos. Pode aparecer inesperadamente na memória, num dia difícil, e lembrar-nos de algo que já não víamos em nós.

Mas há algo curioso sobre elogios. Temos facilidade em senti-los, mas dificuldade em dizê-los. Pensamos coisas bonitas sobre os outros o tempo todo. Pensamos que alguém está bonito, que alguém foi corajoso, que alguém fez algo bem. E, muitas vezes, ficamos em silêncio. Como se essas palavras não fossem importantes o suficiente para existir fora do pensamento.

Março chega para nos lembrar do contrário.

Talvez este mês seja um convite. A reparar mais. A dizer mais. A reconhecer o que é bom, o que é bonito, o que é verdadeiro. Nos outros e em nós.

Porque também nos esquecemos de elogiar a pessoa que somos. Esquecemo-nos de reconhecer o que sobrevivemos, o que aprendemos, o que nos tornamos.

Março não chega com promessas grandiosas. Chega com pequenas possibilidades. Mais luz. Mais ar. Mais espaço.

E talvez comece exatamente assim. Com uma palavra gentil. Com um elogio que dizemos. Ou que finalmente aceitamos.

Olá, março. Estamos prontas.