Há um momento estranho que acontece a muitas mulheres, muitas vezes em silêncio. Acontece depois de uma conquista. Um novo trabalho, um projeto bem sucedido, um elogio inesperado. Em vez de orgulho, surge uma dúvida subtil. E se foi sorte? E se, em breve, alguém perceber que afinal não somos assim tão boas? Este fenómeno tem nome. Chama-se síndrome do impostor. E, embora não seja exclusivo das mulheres, vive com uma frequência particular no feminino.
Não é falta de competência. É falta de reconhecimento interno dessa competência.
Muitas mulheres crescem a aprender a ser discretas, a não ocupar demasiado espaço, a não parecer confiantes demais. São elogiadas pela humildade, pela empatia, pela capacidade de cuidar. Mas raramente são incentivadas a reivindicar o próprio mérito com convicção. Ao longo do tempo, isso cria uma narrativa interna onde o sucesso parece sempre ligeiramente emprestado.
Existe também uma pressão invisível para provar constantemente valor. Mesmo quando estão qualificadas, muitas mulheres sentem que precisam de trabalhar mais, preparar mais e duvidar mais antes de se sentirem legitimadas. O resultado é um paradoxo curioso. Quanto mais competentes são, mais conscientes ficam de tudo o que ainda não sabem.
As redes sociais amplificam este efeito. Vemos outras mulheres aparentemente seguras, bem-sucedidas e confiantes. O que não vemos são as dúvidas, as hesitações e os momentos de insegurança que também fazem parte do percurso delas. A comparação cria a ilusão de que somos as únicas a sentir assim.
Há também uma dimensão estrutural. Durante muito tempo, muitos espaços de poder não foram desenhados a pensar nas mulheres. Quando se entra nesses espaços, é fácil sentir-se visitante em vez de pertencente. Como se fosse necessário justificar continuamente a própria presença.
Mas há uma verdade importante que raramente é dita. A síndrome do impostor não é um sinal de fraude. É, muitas vezes, um sinal de consciência, responsabilidade e exigência pessoal.
A confiança não aparece de repente. Constrói-se lentamente, através da repetição, da experiência e do reconhecimento do próprio percurso. Aprender a aceitar elogios sem os diminuir. Aprender a ocupar espaço sem pedir desculpa.
Talvez o primeiro passo seja este. Perceber que não estamos sozinhas nesta sensação. Que a dúvida não invalida a competência. E que, muitas vezes, aquilo que sentimos como impostura é apenas o desconforto natural de crescer para dentro de quem estamos a tornar-nos.
#GlitterUpYourLife