Guia dos 10 tipos de betos

Se estás em Portugal, sabes que há uma espécie muito própria que floresce entre cafés de bairro “com charme”, esplanadas da linha e festivais onde o bilhete early-bird é comprado só “por respeito à tradição”. Chamam-se betos. E, eles vêm em mais variedades do que edição limitada de Stan Smith.

Aqui ficam 10 tipos de betos que já cruzaste pelo menos uma vez, e provavelmente mais do que gostarias de admitir (ou não).

1. Beto Techno
Veste preto, fala de Berlim mesmo que só lá tenha estado 36 horas e acredita que a felicidade está a exatamente 132 BPM. É aquele que, no brunch de domingo, ainda tem glitter de sexta-feira. Tem um tote bag do Lux, três anéis prata e uma opinião fortíssima sobre drumcode. O seu habitat? Qualquer warehouse “secreta” que toda a cidade conhece.

2. Agrobeto
Tem 4 nomes próprios, um solar herdado e a capacidade mágica de aparecer em todas as feiras de vinhos num raio de 200 km. Fala com paixão de azeite, vacas e colheitas, mas o polo Ralph Lauren nunca apanha pó. Domina: tratar pessoas por apelidos que terminam em “-ão”.

3. O que finge que não é
Aposto que disseste um nome enquanto lias isto. Diz “não sou beto, juro”, mas estava na Comporta no verão passado com camisa de linho aberta até ao terceiro botão. Ouve indie, veste skate brands e tenta parecer outsider, mas a mochila Fjällräven denuncia-o.

4. Beto Brasão
Não se esconde. Pelo contrário: ostenta. Tem histórias de família que envolvem apelidos compostos, heranças antigas e uma vaga ligação a qualquer coisa medieval. Fala em “linhagem” com naturalidade, trata o nome da família como marca registada e acredita, no fundo, que há pessoas que já nascem prontas.

5. Beato
Vai à missa das 11 com polo engomado e calças bege impecáveis. Uma aura de serenidade acompanha-o, assim como uma devoção sincera ao brunch em família. É o único beto cujo maior guilty pleasure é uma boa procissão.

6. Shanti Shanti
Foi ao Boom uma vez e nunca mais voltou igual. Agora tudo é energia, vibração, ciclos, bloqueios emocionais e pessoas tóxicas. Já não come “coisas com químicos”, mas abre exceções estratégicas. Usa a palavra gratidão com frequência suspeita e trata a espiritualidade como um lifestyle de verão eterno.

7. O que acha que é guna
Construiu uma personagem. Fala mais alto do que o necessário, anda em modo permanente de intimidação soft e usa gíria como se fosse figurino de festa temática. Acha que meter respeito é uma questão de volume e postura, mas nunca esteve realmente numa situação em que isso fosse testado. Vive num constante teatro de rua com saída garantida para o conforto de casa, onde o Wi-Fi é rápido e o seguro de saúde é completo.

8. Beto Gourmet
Conhece todos os restaurantes antes de abrirem. Diz “conaissance” e “um petiscozinho” na mesma frase. Circula entre chef’s tables, jantares vínicos e fotos de pratos que nunca parecem tão bons na vida real como no feed dele. Vive para reservar lugares difíceis.

9. Beto Roots
Diz que gosta é de coisas simples, mas as coisas simples dele custam caro. Defende a autenticidade, o analógico, o artesanal, o “feito à mão”, desde que venha com storytelling e etiqueta discreta. Jura que não liga a estatutos, mas calibra toda a estética para parecer naturalmente superior. Quer ser visto como diferente dos outros betos, e acaba exatamente no mesmo grupo, só que com consciência estética.

10. Minimalista
Casa branca, ténis brancos, vida branca. Tudo é “clean”, tudo é “curado”, tudo é “estético”. Trabalha remotamente, vive num T2 com velas caras e compra plantas que morrem em uma semana. É o beto pós-moderno: zen, mas sempre fotogénico.

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#TheGlitterDream