Agosto é sinónimo de férias. Praia, gelados, bolas de berlim e areia em sítios improváveis. Os miúdos correm livres, os pais desligam (um bocadinho) e até a máquina da roupa parece mais paciente com tanta toalha molhada. Mas depois chega setembro e a verdadeira maratona começa.
É que as férias escolares não acabam em agosto. Muito pelo contrário, prolongam-se heroicamente até meio de setembro, como se os miúdos precisassem de mais uma temporada de dolce far niente. Enquanto isso, os pais olham para o calendário e percebem que afinal não tinham planeado um mês de férias, mas dois. Só que a empresa não lê essa parte do guião.
O meu filho vai este ano pela primeira vez para a rede pública nacional de escolas. Um marco, sem dúvida. Mas também um detalhe que transformou setembro num quebra-cabeças. Desde 31 de julho que ele está oficialmente de férias. Repito: desde 31 de julho. Enquanto escrevo isto, já gastei todas as ideias de jogos criativos, já construímos mais fortes de almofadas do que castelos templários e já brinquei aos médicos tantas vezes que começo a responder naturalmente ao nome de doutora. A escola só começa a meio do mês e eu, confesso, vivo entre dois estados de espírito. A ansiedade pela adaptação a uma escola nova e a incapacidade total de trabalhar com um pequeno tornado a girar pela casa.
Por isso, se também estás a tentar enviar aquele e-mail importante enquanto alguém te pede mais um sumo, se já viste o mesmo filme cem vezes e se já não sabes se é verão ou se estás apenas num reality show familiar… respira fundo. Não estás sozinho. Setembro é apenas um agosto prolongado com uma pitada de esperança no horizonte.
Até lá, desejo coragem, café forte e muita criatividade para inventar brincadeiras. Porque férias intermináveis dos miúdos são, no fundo, a prova de resistência que ninguém nos avisou que vinha incluída no pacote da parentalidade.
Margarida Menino Ferreira
#TheGlitterDream