Shot de amor:  6 séries para aquecer o coração

O verão traz ao de cima a romântica que há em mim. 

Bem, não… não é exatamente isso, porque, na verdade, a romântica que há em mim está praticamente sempre a marcar território na torre de controlo das minhas emoções – quer façam 30ºC, quer chova torrencialmente, quer floresçam girassóis, quer caiam as folhas outonais… Porém, o verão deixa-me sem fôlego e podemos concordar que a mão da nossa paixoneta entrelaçada na nossa também tende a ter o mesmo efeito. 

Certo?

Caso tenhas feito um esgar de repulsa, a mini lista que se avizinha talvez não seja do teu agrado. Se, por outro lado, foi antes uma careta de desdém fingido – de quem está naquela fase de aparentar asco, por alguma pisadela emocional fresca – então talvez ler estas recomendações não seja assim tão má ideia. Há ainda a terceira opção: seres como eu, uma assumida romântica, e, nesse caso, obviamente estes próximos parágrafos são para ti… 

Sem mais demoras, vamos a 5 recomendações de séries que dão um calorzinho no coração e restauram minimamente a fé no cenário de dating culture atual (convenhamos: bem precisamos) – um love shot para nos deixar a ver (quase) tudo cor-de-rosa.

Um Conto Perfeito

O nome diz tudo. Mas atenção que não é um conto perfeito por não haver contradições, problemas ou dúvidas. É perfeito porque, havendo tudo isso, não deixa também de haver espaço para cuidado de sobra, aquele sorriso gentil e tímido de quem está a voltar a confiar a medo, muito humor leve, paisagens gregas inundadas de sol e a beleza de redescobrir-se através dos olhos de alguém que nos quer verdadeiramente bem. Duas personagens que é impossível não adorar, já que, mesmo com as suas particularidades mais exasperantes, damos por nós a sorrir com o canto da boca à medida que se dão a conhecer um pouco mais. E um desfecho brilhante, que deixa qualquer nostálgica (olá!) agarrada à pontinha do véu de “e se…?”, que ousamos levantar com o nosso par Margot-David – para relembrar de quantas dessas “histórias por viver” somos feitas.

E tudo isto em castelhano, quem tem de ser (na minha humilde opinião) das línguas mais românticas e “de-fazer-tremer-a-perninha” que existem. 
“Um Conto Perfeito” está disponível na Netflix.

O Tempo que És em Mim 

Esta série tem uma premissa incontornavelmente bela. São 10 episódios de 11 minutos cada um, mas não julgues a qualidade pela quantidade. O primeiro contacto que temos com os protagonistas dá-nos um ponto de partida: “um minuto no presente e dez minutos no passado”. Aí abrem-nos as portas para a madrugada em que inusitadamente se conheceram. Mas então… de onde vem aquele último minuto tão doloroso? Como (e quando?) se instalou entre eles um ambiente denso de cortar à faca? O último episódio traz-nos o exato oposto: “dez minutos no presente e um minuto no passado” – porque, de facto, não há nada mais a dizer sobre o que já lá vai, mas há muito ainda por viver e fazer acontecer. Esta série relembra que um amor não vale menos por acabar e que pode “dar certo” simplesmente até deixar de dar. E, ainda que possa doer, há um alívio em saber que, tal como alguns amores não foram feitos para sempre, também nenhum coração fica partido eternamente. 
“O Tempo que És em Mim” está disponível na Netflix.

Young Royals

Uma série juvenil que nos leva pela mão a reviver o nosso primeiro amor. Tem, contudo, algumas circunstâncias que provavelmente nem tu nem eu vivemos: um deles é príncipe herdeiro e o outro é um imigrante bolseiro num colégio para gente com carteiras e prioridades que não correspondem às suas. E com um olhar mais prolongado que o habitual, um par de sorrisos acanhados e aquela típica curiosidade que enleva qualquer coração apaixonado… sim, o amor está no ar. E seria adorável poder usufruir dele sem preocupações – mas também um tanto utópico: não esqueçamos que um deles é sucessor à coroa, pelo que não é de espantar que haja uma rainha movida pela opinião pública ou um primo ambicioso a arranjar maneiras pouco dignas de chegar ao trono. Este casal faz-nos revisitar primeiros beijos e confissões, encontros às escondidas e também aquelas decisões (que a idade não permite serem mais maduras) carregadas de orgulho de quem ainda não sabe bem o que é pensar a dois.

PS: esta série ensinou-me que sueco é uma língua bastante bonita.

PPS: um deles canta e é de enternecer qualquer coraçãozinho.

“Young Royals” está disponível na Netflix.

O Mapa dos Desejos

Vamos já endereçar o elefante na sala: Greta está reduzida a uma sombra do que foi, porque a sua irmã Lucy morreu de cancro. E fica pior: Greta foi planeada e concebida por dois pais envoltos num luto antecipado, a quem foi dito que as células de uma irmã poderiam salvar Lucy. Ou seja: do alto dos seus 22 anos, Greta sente que o único propósito que tinha foi esmagado, triturado e atirado para debaixo do comboio. Parece promissor, não? (riso nervoso) Até que entra no seu restaurante predileto o reservado Will, com um olhar atento e uma caixa debaixo do braço: “és a Greta?”, “sim”, “toma, isto é da tua irmã Lucy”. Greta depara-se com um jogo repleto de desafios que tem de cumprir e cartas que tem de ler – mas, felizmente, não tem de fazê-lo sozinha. Will também tem a sua quota-parte neste jogo; só não entendemos logo porquê nem o que o deixou reduzido a monossílabos. O que o liga a Lucy? Quão mais leve fica o luto, se não temos de fazê-lo sozinhos? E quão grande é o conforto nas palavras da irmã, se Greta sabe que ela passou os últimos meses, ciente da sua finitude, a preparar um jogo para ajudar os seus entes queridos? É uma série tão densa, quanto especial. E é precioso ver como duas pessoas tão descrentes – na vida, no objetivo de tudo isto e, claro, no amor – podem inspirar-se mutuamente a recolher cacos, abrir as cortinas e deixar a luz entrar.  

“O Mapa dos Desejos” está disponível na Netflix.

Sempre que nos Apaixonamos

Está na cara que esta vai ser uma daquelas histórias em que o ponto final é escrito a lápis e acaba a render-se a qualquer borracha, não está? Pois bem… não há como negá-lo: Irene e Julio dão voltas e mais voltas, mas nunca encontram uma avenida reta bem extensa que os afaste um do outro de uma vez por todas. E vamos admiti-lo já: nós até gostamos de vê-los reaparecer repetidamente na vida um do outro, sem aviso ou intenção, mesmo depois de terem jurado para nunca mais. Até porque a Irene está prestes a casar-se com um homem que não ama, enquanto alimenta esperança naquela que foi sempre a opção B – e dizem que, se há uma segunda escolha, é porque não há grandes certezas acerca da primeira… mas não é assim tão simples, pois não? Se fosse, não seriam precisos tantos anos e múltiplas tentativas para fazer valer aquilo que parece fadado a falhar. E a Irene sente-se confusa (claro, como não?): para ela, só há aquele namorado da universidade – com quem as coisas eram meio mornas – ou o Julio – com quem as coisas eram meio caóticas. E consta que, às vezes, há que bater com a cabeça, perceber de onde vem tanto orgulho e saber curar as inner children para evitar (mais) estilhaços em todas as direções. Contudo, também consta que tudo isso fica mais fácil quando vemos na vulnerabilidade uma mais-valia e nos abrimos a receber o amor que querem dar-nos.

“Sempre que nos Apaixonamos” está disponível na Netfix.

Eu e os Rapazes da Família Walter

Se não conheces esta série, aconselho-te a devorar as duas primeiras temporadas até dia 6 de agosto – o dia em que estreia a terceira! – porque é bem provável que a adores! A Jackie anda no liceu e é aquela amiga que não tem um cabelo fora do sítio, uma malha do cardigan a levantar ou um espaço na agenda por preencher. Ela sabe o que quer… até a vida lhe tirar o tapete. A Jackie passa de ter tudo controlado para ver-se obrigada a mudar de cidade e viver com uns amigos dos pais. Esta nova família, que a recebe de braços abertos, traz-lhe tudo aquilo que é esperado de um casal com 8 filhos. E se é verdade que, por um lado, ela não adora a imprevisibilidade, vai descobrir que a sua maior força reside precisamente na espontaneidade cheia de ânimo que cada um deles vem aportar à sua vida. Mas sim: há dois irmãos que parecem determinados a conquistar a atenção dela e isto não tem ar de acabar com um sorriso na cara de todos… A questão vai além do “quem é que a Jackie vai escolher?”, porque vamos deixando cada personagem cativar-nos (e desiludir-nos, naturalmente) à sua maneira, revendo-nos – quiçá – um pouco nos seus feitios e escolhas.

“Eu e os Rapazes da Família Walter” está disponível na Netflix.

Não há como desmentir o óbvio: o meu algoritmo conhece-me e sabe que, se vem da outra parte da Península Ibérica, eu provavelmente vou gostar – mesmo (e sobretudo se) chorar que nem uma Julieta. Faz parte, não? Só nos comove o que nos cativa e eu adoro uma série que me fale ao coração, idealmente através de duas personagens que se vão descobrindo, ora encontrando, ora desencontrando, mas sempre a abrir a caminho.

E tu? Qual vais ver primeiro?