Quem sou eu para competir com os Óscares?… Mas este é um dos meus nomeados: Vitória.
Um filme que marcou as minhas idas às salas de cinema em 2025.
Baseado em factos verídicos, Vitória conta a história de uma mulher de 80 anos que, sozinha, desmantelou uma rede de tráfico de droga em Copacabana. Farta da violência que a rodeava e da inação das autoridades, Nina toma uma decisão tão improvável quanto corajosa: compra uma câmara e começa a filmar, da janela de sua casa, o quotidiano do crime na favela onde vive.
É um filme praticamente ancorado numa única personagem — e que sorte a nossa, pois a representação que é entregue é digna de Óscar. A narrativa sustenta-se na presença monumental de Fernanda Montenegro, que, aos 95 anos durante as filmagens, entrega uma interpretação de uma força e humanidade raríssimas. Há fragilidade, teimosia, medo e coragem tudo ao mesmo tempo, sem nunca soar forçado.
A relação que Nina constrói com o rapaz do bairro traz ainda mais densidade emocional à história. É através desse vínculo que o filme ganha ternura e complexidade, explorando a desilusão perante o envolvimento com o crime e mostrando que, por detrás das estatísticas, existem pessoas, escolhas difíceis e contextos quase impossíveis de quebrar.
Visualmente, os planos colocam-nos dentro daquele espaço com uma proximidade quase documental. Sentimos a tensão, a vigilância constante, o peso do silêncio antes de algo acontecer. A câmara não serve apenas como objeto narrativo — dá-nos o ponto de vista da protagonista ao longo de todo o filme, permitindo-nos mergulhar com Nina na descoberta dos segredos daquela comunidade.
No fim, Vitória é mais do que uma história sobre crime. É um retrato de coragem individual contra sistemas que parecem imutáveis — e a prova de que, às vezes, as maiores revoluções começam numa janela de casa.
E em relação ao outro nomeado? Terão de ficar atentos ao próximo episódio para descobrirem.
Até lá.
Beijinhos com muito glitter

Artigo por Catarina Ogando
#GlitterUpYourLife