Houve uma altura em que eu conseguia estar em todo o lado. Respondia a todas as mensagens, aceitava todos os convites, dizia sempre que sim. Não queria perder nada. Havia uma urgência constante em participar, em acompanhar, em estar presente. O silêncio parecia suspeito. A ausência, uma espécie de falha.
Não sei exatamente quando mudou. Não houve um momento específico. Foi gradual. Comecei a sentir o cansaço de forma diferente. Não o cansaço físico, mas o outro. Aquele que aparece quando estamos demasiado disponíveis para tudo e, ao mesmo tempo, cada vez menos disponíveis para nós próprios.
Hoje, deixo mensagens por responder durante horas. Às vezes dias. Não por falta de carinho, mas por falta de espaço interno. Já não tenho a mesma energia para conversas que não acrescentam, para planos que não me entusiasmam, para a versão de mim que existia apenas para corresponder.
Durante muito tempo, confundi disponibilidade com valor. Achava que ser uma boa pessoa significava estar sempre presente, sempre pronta, sempre acessível. Mas essa presença constante tinha um custo invisível. Aos poucos, fui desaparecendo de mim.
Agora, começo a perceber que a energia é um recurso limitado. E que escolher onde a colocamos é uma forma de autocuidado, não de egoísmo. Cancelo planos sem inventar desculpas elaboradas. Fico em casa sem sentir que estou a falhar alguma coisa. Escolho o silêncio quando preciso de silêncio. Já não sinto a necessidade de justificar a minha ausência nem de preencher todos os espaços vazios.
O mais surpreendente é que, nesse espaço, comecei a reconhecer-me novamente. Há uma paz inesperada em não estar em todo o lado. Em não ser tudo para todos. Em aceitar que não temos energia infinita, e que isso não nos torna menos interessantes, menos relevantes ou menos presentes. Torna-nos apenas mais conscientes.
Já não tenho energia para tudo. E, pela primeira vez, isso não me assusta. Mudou quem sou. Tornou-me mais seletiva, mais tranquila, mais honesta comigo própria. E, curiosamente, mais inteira. Porque às vezes crescer é isto. Não ganhar mais energia, mas aprender finalmente onde vale a pena colocá-la.
#GlitterUpYourLife