Conheço alguém que não tinha namorado. Não este ano, pelo menos. E decidiu que isso não seria um problema, nem um tema, nem muito menos uma falha a corrigir antes do dia 14 de fevereiro. Em vez disso, fez algo radical na sua simplicidade: resolveu namorar consigo própria.
Não foi um manifesto, nem um discurso inflamado contra o amor romântico. Foi mais uma decisão silenciosa, tomada entre um café bebido com calma e uma lista mental de coisas que andava a adiar. Reservou um jantar só para si, escolheu a roupa como quem se quer impressionar e marcou na agenda um tempo que não ia ser roubado por ninguém. Sem flores entregues à porta, mas com atenção plena. Sem mensagens apaixonadas, mas com presença.
Enquanto o mundo parecia dividido entre casais a combinar planos e solteiros a fingir indiferença, ela optou por uma terceira via. Não se fechou em cinismo nem se perdeu em romantizações exageradas do amor-próprio. Apenas reconheceu que havia uma relação ali, antiga e muitas vezes negligenciada, que merecia cuidado. Conhecia-se o suficiente para saber do que gostava, mas estava curiosa para descobrir o que ainda podia surpreendê-la.
Namorar consigo própria não significou isolamento. Significou escolha. Escolher não aceitar migalhas, nem de outros, nem de si. Escolher escutar-se com a mesma paciência que costumava reservar aos outros. Rir das próprias contradições, perdoar falhas antigas e não prometer mudanças grandiosas que não iam ser cumpridas. Só continuidade, gentileza e algum silêncio bom.
Nesse dia, não celebrou o amor como espetáculo, mas como prática diária. E percebeu que, talvez, o verdadeiro ensaio para qualquer relação futura não estivesse em jantares à luz de velas partilhados, mas na capacidade de se sentar consigo mesma sem pressa, sem distrações e sem vontade de fugir.
Não tinha namorado. Mas tinha companhia. E, por agora, isso bastava.
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