Ano novo e isso significa viagens novas, janeiro trouxe-me mais uma cidade riscada da minha bucket list e desta vez uma muito especial e que superou as minhas expectativas. Se o conceito de ter um tipo de cidade existir, Viena faz 100% o meu género, claro que temos algumas diferenças (que nos tornam pouco compativeis a longo prazo), sendo a primeira a lingua. Alemão é de facto uma língua muito difícil de compreender, até para nós portugueses (que dada a nossa origem linguística temos uma maior facilidade de aprender outros idiomas), é também uma cidade um bocadinho mais cara em comparação com Portugal, mas acho que seriamos o par perfeito não fosse a sensação de 9 graus negativos que senti.
Uma das coisas que mais valorizo quando viajo é a segurança, para mim é obrigatório eu sentir-me segura e Viena entregou tudo isso e mais, de dia, de noite, quarta-feira ou sábado, sempre me senti em casa.
Fizemos a viagem na quarta feira de manhã e chegámos ao aeroporto de Viena por volta das 15:30, comemos qualquer coisa rápida e seguimos para o apartamento. Ficamos no Rafael Keiser apartments, um estúdio com cozinha e duas casas de banho a 10 minutos a pé da catedral de St.Stephen, foi a localização perfeita porque não andamos de transportes públicos.
Fizemos a cidade toda a pé e na minha opinião é a melhor maneira de a conhecermos, deixarmos-nos perder pelas ruas de Viena é encantador, descobrir ruas que nunca teríamos conhecido se nos tivéssemos mantido fieis aos roteiros que vimos online. Depois de deixarmos as malas e nos ambientarmos fomos jantar àquele que se tornou um dos nossos restaurantes de eleição, o Mama Leone, um restaurante italiano, especializado em pizzas e cocktails, e como fizemos tudo a pé acabamos por dar um passeio pela praça principal à noite.
Quinta-feira começou cedo, saímos de casa por volta das 9:30h da manhã e começamos a explorar, a primeira paragem foi Albertina Platz. Se és amante de cinema com certeza que conheces a trilogia Before Sunrise, se não conheces fica aqui a recomendação, é o meu romance favorito e por isso fiz questão de visitar todos os locais onde foi gravado. A vista para a ópera, por si só, já é inacreditável mas mais que uma praça é também um museu lindíssimo. Logo a seguir fomos dar um passeio por Burggarten que fica mesmo ao lado da praça e que por sorte, estava cheio de neve.
Nós optámos por não visitar Albertina (onde estava a decorrer uma exposição de picasso e monet, que ambos já tínhamos visto) e fomos diretos para o Albertina Modern, onde estava a decorrer uma exposição temporária de uma das minhas artistas favoritas, Marina Abramovic.
Foi uma exposição muito dura e real, mas sou da opinião que a arte deve deixar-nos desconfortáveis, e se por acaso estiverem por Viena até dia 3 de Março, é mesmo uma paragem obrigatória. Depois fomos comer qualquer coisa e seguimos para o Museu Nacional de Viena que é gratuito e conta a história da cidade desde os seus primórdios.
Depois disso, e de forma a dar continuação aos locais onde foi gravado o filme Before Sunrise, juntamos dois mais dois e fomos até ao Café Sperl provar o tradicional Sachertorte, um bolo de chocolate com compota de alperce e também o icónico, Apple Strudel. Já de barriga aconchegada seguimos em direção à biblioteca nacional austríaca, a entrada é de 11 euros mas vale mesmo muito a pena. Antes de voltarmos para casa, e a caminho, ficava o Palácio Daun-Kinsky, também com entrada gratuita. Depois disso fomos jantar ao Five Guys, paragem obrigatória sempre que viajamos.
Sexta-feira, começámos o dia no Maria Theresien-Platz, outra praça relacionada com o filme com um ambiente muito bonito e rodeada de dois grandes museus. E como eu acho que as melhores recordações são as memórias, não podia deixar de passar pelo Photoautomat uma cabine de fotos vintage onde por 5€ podemos ficar com uma recordação muito bonita de Viena.
Podemos dizer muito sobre uma cidade consoante a sua gastronomia, e claro que não podíamos ir a Viena e não provar o prato tradicional, por isso, fomos almoçar ao Zu ebener Erde und erster Stock para comer um Schnitzel. Seguimos para a loja de vinis Alt & Neu, uma paragem obrigatória para os fãs do filme e de música no geral. O dia terminou da melhor maneira possível, no palácio Belvedere, o meu conselho é ir com tempo porque uma hora não chega para ver tudo e eu infelizmente não consegui ver o último andar. Os jardins são de cortar a respiração mas o interior do palácio é uma das coisas mais bonitas que vi, além dos vários quadros de diferentes artistas, é também onde se encontra o original, O Beijo de Gustav Klimt.
Sábado era o último dia completo desta viagem e eu acho importante reservarmos um dia, ou pelo menos uma tarde, para ver a cidade como um local, sem a pressa de querer visitar todos os pontos turísticos e evitar filas, sem os clichês do costume e por isso foi o que fizemos. O dia começou mais tarde e fomos passear pela zona da ópera e almoçar com vista para a mesma, num dos restaurantes mais bonitos em que tive o privilégio de entrar, o Gerstnee Hofz, em baixo e logo à entrada uma pastelaria e no andar de cima um restaurante imperdível para quem vem a Viena. O resto da tarde foi passado a passear, a visitar algumas lojas locais e em segunda mão, muitos antiquários e terminámos com um cocktail no restaurante a que fomos no primeiro dia, sem pressas, como se tivéssemos todo o tempo do mundo, e a verdade é que tínhamos.
Viena foi a calma que estava a precisar de quarta a sexta-feira e no sábado tornou-se no caos bonito de uma cidade encantadora que todos querem visitar. Parece que estamos a viajar no tempo, a arquitetura da cidade é inacreditável. É quase como uma lufada de ar fresco por não sermos invadidos de prédios modernos. Viena faz-nos querer ficar. Faz-nos dar valor ao detalhe. Parece que o tempo abranda e nós fazemos o que ela nos pede, abrandamos e ficamos, o tempo que for preciso
Artigo por Rita Pinto Da Silva .
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