Este texto, por si só, é movimento. Ou, pelo menos, origina-o. Repara só nos teus olhos que percorrem cada palavra aqui escrita. Isto é movimento. Mas não percamos muito tempo a defini-lo. Pensar o movimento é já tentar detê-lo e o exercício de hoje é apenas observar.
Folhas que tropeçam umas nas outras como quem brinca no parque. Bailarinos que transpiram dança. Os carros. As pessoas. O tempo que passa e nos ultrapassa. Certo como as incertezas, é de presença constante. Quanto mais não seja, no percurso das nuvens, se as há, ou no bater do nosso coração que, enquanto pulsante, o garante.
Aprendemos desde cedo a importância de nos mexermos: literal e simbolicamente. Tanto sermos ativos pela nossa saúde como procurarmos ativamente correr atrás do que queremos. O conceito de movimento pertence-nos, é-nos essencial e, ainda assim, nunca ou muito raramente paramos para encará-lo com olhos de ver. É uma forma de mindfulness e quando entendemos a magia da coreografia alheia, começamos a ser adeptos fieis de um hábito antigo: o chamado “ver a banda passar”.
Na verdade, nem todo o movimento é fácil e claro como água. Quanto a correntes difíceis, há muito que se lhe diga. Começar de novo, ir embora, ficar, mudar de ideias ou de vida. Escolher mover-se, às vezes, pesa mais que muito, mas o compromisso com o vício de nos fazermos felizes que assenta no lado oposto da balança, tem de superar qualquer outro. E, no fim das contas, o desenho da nossa vida tem mais semelhanças com um eletrocardiograma do que com uma linha reta. É um quadro definido pelo movimento. Não há como negá-lo. E para quê negá-lo se este caminho é uma dança em que, mesmo com dois pés esquerdos, somos todos bailarinos?
As pausas são necessárias, certamente. E há dias em que se pudéssemos carregar num botão até nos sentirmos prontos para assumir de novo o “play”, o fazíamos sem pensar duas vezes. Desligar o relógio, mesmo que em horas certas combinadas com o universo, não adianta de nada quando a poucos metros há mais dois ponteiros a contar os segundos. Podemos parar e temos de parar, mas sem subestimar o movimento. Sabê-lo, reconhecê-lo e, de facto, parar para vê-lo. Em dias de pouca luz, ter como esperança última, que mesmo quando o mundo inteiro parece estagnar, haverá sempre um coração palpitante que nos garante a continuidade do sentimento. E sentir é o que nos move. Não é?
#TheGlitterDream