E de repente…já nos 40! – Ep 6

Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)

Coisas que digo, penso e faço aos 40… e que deixam o meu marido louco!

Sou casada há sete anos, namoramos há treze e somos amigos há um quarto de século. Dá para imaginar o nível de intimidade, não dá? Já passámos por todas as versões um do outro: os irresponsáveis dos 20, os acelerados dos 30 e agora… os quarentões em plena metamorfose!

Como definir esta nova década de vida em comum? Zen? Explosiva? Amorosa? Rabugenta? Tranquila? Nem sei. Casais com muitos quilómetros de estrada perceberão: há dias de serenidade absoluta e outros em que só apetece usar tampões nos ouvidos. Mas aquilo que mais me intriga e que me fez querer escrever são todos os detalhes lindos que o meu marido adorava sobre mim aos 30 e que agora passa os dias a implicar…

De repente, deixei de ser imensas coisas e deixei de saber fazer tantas outras… claro que quando mudamos individualmente isso também se reflete no casal. E, a verdade, é que as mudanças não são só minhas (se é que me entendem!). As mudanças são nossas e, por vezes, andamos às turras por causa de trivialidades que jurámos não nos afetar.

Mas vamos a exemplos práticos que é o que todas querem ler (certo?).

Quando nos conhecemos a minha velocidade a andar era motivo de poesia… eu era “mais lenta” e isso era de cinema… hoje, sou um caracol que não consegue acompanhar a corrida, movimento-me em passos tão pequenos que deixam o meu marido exasperado e a bradar aos céus no meio da rua!

Com 30 anos, era uma chef exímia, qual Estrela Michelin, e tudo o que cozinhava estava sempre delicioso… hoje, tudo o que cozinho tem sempre falta de… SAL! Não há como agradar o palato deste senhor que vive cá em casa. Ando eu preocupada com a nossa saúde e o homem queixa-se que tudo está insosso. E o que acontece? Quando é ele a cozinhar eu acho que tudo está salgado!

Ainda na cozinha… quando ele decide preparar o jantar, não posso nem chegar perto do fogão! Antes, era sempre bem-vinda, a minha ajuda sempre apreciada… hoje, sou obrigada a ficar exilada na sala aguardando o repasto. Que depois tem de ser altamente elogiado apesar de estar condimentado demais para o meu gosto e para a minha tensão arterial.

A nossa casa! Quando fomos viver juntos e começamos a decorar a nossa primeira casa, o meu estilo barroco e irreverente era um máximo – quadros, cores, livros, memórias — tudo valia. Hoje, ele quer viver num museu! Um catálogo minimalista, com paredes nuas. Como assim? Não vou viver num espaço despido que em nada reflete a minha (e até a dele!!!) personalidade! Porque de minimalista ele não tem nada. Confesso que não sei de onde saiu este designer de interiores que me vira a casa do avesso e quer colocar todos os meus objetos maravilhosos e repletos de história guardados a sete chaves.

No início do nosso namoro, dias de praia eram os melhores. Assim que chegava o calor, saltávamos para a mota e lá íamos nós apanhar sol, sentir a areia e dar mergulhos no mar… qual Lagoa Azul! Hoje, uma ida à praia pode transformar-se num pesadelo. A areia é uma seca, enfia-se em todo o lado, a praia é um lugar aborrecido, a água do mar é gelada e a minha paciência esgota-se rapidamente. (Não é para menos, certo? Que chato!) Eu só quero apanhar umas horas de sol, recarregar as baterias, respirar fundo e caminhar junto ao mar. O meu momento de paz passou a ser o momento de inferno do meu marido.

No fundo, também é disto que se faz um casamento: pequenas guerras, grandes gargalhadas e muito amor a temperar. Imperfeições deliciosas, ajustes diários e a certeza de que, apesar dos atritos, não trocava esta aventura por nada.
Porque se há coisa que aprendemos nestes anos todos é que o amor, aos 40, é igualzinho a nós — teimoso, divertido e impossível de pôr em modo “silêncio”.

Continuamos juntos, a rir e a implicar como se fosse a primeira vez. Crescemos, mudámos e reinventámo-nos — às vezes em direções opostas, outras vezes em perfeita sintonia — mas o amor, esse, mantém-se firme, mesmo quando discordamos da decoração da sala. Afinal, viver a dois é isso: um eterno ensaio de paciência, humor e amor.

Artigo por Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream