Trends que não podem voltar (pelo bem da nossa sociedade)

A moda é cíclica. Num dia, as calças de cintura baixa são o maior faux-pas do mundo, no outro, estão em todas as passarelas e fotos do Pinterest. Mas, enquanto discutimos se as sabrinas e as calças capri devem ou não chegar para ficar, há certas “tendências” sociais e mentais que precisam de ser, de uma vez por todas, postas na prateleira da História. 

Aqui estão 5 “trends” que já passaram do prazo de validade e que, sinceramente, não deixam saudades nenhumas. 

1. Achar que o casamento tem que ser o objetivo prioritário de todas as mulheres.

Esta é uma “trend” tão antiga quanto os espartilhos, mas que se recusa a desaparecer completamente. A ideia de que a vida de uma mulher só começa de verdade ou atinge a sua plenitude depois do “sim” é limitadora. O casamento é uma escolha bonita e legítima, mas não deve ser encarado como um destino inevitável ou uma meta obrigatória. Muitas mulheres encontram realização profunda nas suas carreiras, paixões pessoais, viagens ou simplesmente na sua própria companhia, sem a necessidade de um anel. Reduzir a existência feminina a esta etapa é ignorar a riqueza e diversidade dos nossos sonhos e ambições. 

2. A rivalidade feminina como entretenimento.

Durante décadas, a cultura pop alimentou-nos com a ideia de que “mulheres juntas não se dão bem”. Esta mentalidade de “Pick Me Girl”, onde nos comparamos e tentamos diminuir umas às outras para parecermos melhores aos olhos da sociedade (e, muitas vezes, dos homens), é uma “trend” tóxica e ultrapassada. Quando uma mulher vence, todas vencemos. O sucesso alheio não é uma ameaça ao nosso, mas sim uma inspiração e prova de que o caminho é possível para todas. Mais sororidade, por favor. 

3. A cultura da “supermulher” e da produtividade tóxica.

Esta “trend” mais recente, muitas vezes mascarada de “empoderamento feminino” e “Girlboss”, romantiza a exaustão. A ideia de que temos de ter carreiras de topo, corpos perfeitos, casas de revista, uma vida social hiperativa e estarmos sempre calmas e bem-dispostas é uma receita para o burnout. A independência feminina não deve ser sinónimo de sobrecarga mental e física. Precisamos de cancelar a glorificação de não dormir o suficiente e aprender a valorizar o descanso, os limites e a saúde mental como verdadeiros sinais de sucesso, em vez de um troféu de “quem aguenta mais sem se passar”.

4. A dependência financeira romantizada.

O mito do “príncipe encantado que resolve a vida” ou a ideia arcaica de que os homens “ajudam” com o dinheiro, como se a gestão financeira fosse uma tarefa secundária para as mulheres, é uma “trend” perigosa. A liberdade e a segurança que a independência financeira proporciona são fundamentais. O tabu de falar sobre dinheiro, o medo de ganhar mais do que o parceiro ou a falta de literacia financeira são as amarras modernas. Precisamos de normalizar mulheres como investidoras, investindo não só em beleza e moda, mas também no seu próprio futuro e património.

5. A ditadura da “eterna juventude” (o medo de envelhecer).

Esta “trend” cruel, perpetuada pela indústria da beleza e dos media, pressiona as mulheres a travar o tempo a todo o custo. Homens envelhecem e ganham “charme” e “maturidade”; mulheres parecem ter uma data de validade estética, após a qual se tornam invisíveis ou alvo de críticas se ousarem parecer a idade que têm. O pânico de envelhecer e a obsessão por procedimentos estéticos, muitas vezes invasivos, é uma forma de controlo. Esta também tem de acabar. 

Estas 5 “trends” não são apenas out of style, são atalhos para uma vida muito mais limitada. Vamos deixá-las no passado e focar-nos em criar uma nova coleção de comportamentos: baseada no respeito, na autonomia e na celebração da individualidade de cada um. 

#glitterupyourlife