Descobri que estava grávida em outubro de 2024. Naquele momento, a minha vida mudou para sempre, mesmo antes de eu perceber exatamente como. Hoje, sete meses depois de me tornar mãe, olho para trás com mais consciência, mais cansaço… e muito mais amor. Ao longo deste caminho vivi fases intensas, desafios inesperados e aprendizagens profundas. A maternidade ensinou-me coisas que ninguém me conseguiu explicar antes: sobre entrega, vulnerabilidade, força e imperfeição. É sobre esse percurso real (sem filtros) que quero partilhar aqui.
Episódio 1
Antes do pós, vem o pré. E ninguém me avisou.
E essa fase também é muito importante, para nos sentirmos tranquilas e, acima de tudo, para descansarmos.
O meu pré-parto foi tudo menos tranquilo. Foi desafiante, profissional e pessoalmente.
Trabalhei até aos 8 meses, até não conseguir mais, nem fisicamente nem psicologicamente. Estava exausta. O meu cérebro já não funcionava da mesma forma — e ainda hoje sinto isso. Isso mexeu muito comigo.
No meio de tudo isto, estava a terminar a obra da minha casa. Uma casa pensada por mim. E quem já passou por uma obra sabe: são escolhas atrás de escolhas, decisões constantes.
O Vicente nasceu e eu ainda não tinha a pedra da cozinha montada. Mas eu já sabia que ia estar em contrarrelógio.
Foi um verdadeiro mix de emoções.
Despedimo-nos da nossa primeira casa a 29 de maio de 2025. Chorei muito neste dia, estava a despedir-me de uma casa que teve muito significado para mim e eu estava gravidíssima e com as hormonas muito emotivas.
A obra não estava pronta e fui, por uns dias, para casa de um familiar.
No dia 5 de junho de 2025, apenas com a cama, mudámos para a nossa casa nova.
Aqui, respirei. Apesar de não ter nada, de ainda estar tudo encaixotado, tudo o que eu queria era já estar na casa nova quando o Vicente nascesse.
No dia 16 de junho, o Vicente começou a dar sinais de que queria nascer.
E acabou por nascer a 19 de junho de 2025, de cesariana urgente.
E é aqui que começa todo um pós.
O que mais me custou no pós-parto foram as dores da cesariana. Tudo o que eu não tinha idealizado. Tenho pânico de agulhas, tesouras e operações. Só eu sei o que foi meter aquele cateter. Foi a primeira cirurgia da minha vida. Acho que agora já estou pronta para tudo.
De repente, tinha sido operada à barriga, tinha um bebé para cuidar e dores terríveis. Chorava de dores.
E perguntava-me:
como é que era suposto viver tudo isto… e ainda conseguir amamentar?
Não consegui. Doeu-me muito.
Depois veio a privação de sono. Acho que deixamos mesmo de dormir. Vivemos num estado de alerta constante. Acordava quase de 30 em 30 minutos para ver se o bebé estava bem. Ele comia de duas em duas, de três em três horas.
Toda a gente me dizia para dormir durante o dia.
E eu pensava: mas como?
Durante o dia ele dormia apenas 20 minutos seguidos. Parecia que tinha um relógio.
Não conseguir tomar um duche tranquila.
Não conseguir ter cinco minutos para mim.
Nesta fase chorei muito.
Só queria tempo. Só queria estar bem. Só queria aproveitar.
O corpo também mexeu muito comigo. Não ter o que vestir, nada me servia, não me sentia bem. No fundo sabia que era uma fase, mas isso não fazia doer menos.
Tive dias muito negros.
E aqui é fundamental o papel da pessoa que temos ao nosso lado. Alguém que não nos deixa ir abaixo, mas que respeita a nossa dor. Que está lá. Presente. A viver tudo connosco.
Houve também algo que percebi muito cedo: nesta fase, precisei mesmo do meu espaço.
Precisei de estar mais sozinha.
Com o meu bebé.
Com a minha família.
Sem visitas constantes. Sem expectativas. Sem pressão.
Precisei de viver devagar. Ao meu ritmo. De respeitar o tempo do meu corpo, da minha cabeça e deste início enquanto mãe.
É nesta fase que metemos muitas coisas em questão.
Acho que é muito importante não criarmos expectativas rígidas. Saber viver o que acontece, da forma que acontece. Para mim era garantido que não ia ter uma cesariana. A vida trocou-me as voltas e meteu-me, literalmente, à prova.
O que levo daqui?
Que numa próxima gravidez, quero viver tudo de forma diferente.
Mais devagar.
Que sou capaz.
Que somos capazes.
Ficas para o próximo capítulo?
Isto é Maternidade aPita por Tatiana Pita.
#GlitterUpYourLife