Autocrítica vs Autocompaixão: inimiga ou aliada do teu bem-estar?

Quem nunca se apanhou a pensar: “Não sou bom o suficiente”, “Devia ter feito melhor”, ou até “Que vergonha, falhei outra vez”? Essa voz interior que nos aponta os erros e falhas chama-se autocrítica.

A verdade é que todos a temos. A autocrítica pode até ajudar-nos a melhorar e a aprender com os erros. Mas quando se torna demasiado dura, acaba por ser como um bully dentro da nossa própria cabeça — desgasta, aumenta a ansiedade e mina a nossa autoestima.

O que é a autocompaixão?

Se a autocrítica é a voz que julga, a autocompaixão é a voz que apoia. Não significa desculpar tudo ou deixar de tentar, mas sim tratar-nos com a mesma compreensão que daríamos a um amigo querido.

A investigadora Kristin Neff, pioneira no estudo da autocompaixão, mostra que sermos mais gentis connosco não nos torna fracos — pelo contrário, dá-nos força para lidar melhor com desafios e aprender com eles.

O impacto no dia a dia

  • Autocrítica em excesso: aumenta o stress, a ansiedade, o perfeccionismo e até sintomas depressivos.
  • Autocompaixão: reduz a pressão interna, melhora a saúde mental, fortalece a resiliência e ajuda-nos a ter relações mais saudáveis (começando pela relação connosco próprios)

No fundo, não se trata de escolher entre ser crítico ou compassivo, mas de equilibrar: reconhecer os erros sem nos afundarmos neles.

Dicas para praticar a autocompaixão

Se costumas ser demasiado duro contigo, experimenta estas estratégias simples:

  1. Fala contigo como falarias com um amigo – troca frases como “sou um desastre” por “foi difícil, mas estou a aprender”.
  2. Nota o tom da tua voz interior – percebe se estás a ser juiz ou aliado de ti próprio.
  3. Aceita que errar faz parte – ninguém cresce sem falhar. Cada erro traz uma oportunidade de evolução.
  4. Pratica pausas de autogentileza – quando te sentires em baixo, respira fundo e lembra-te: “Está tudo bem não estar sempre bem.”
  5. Celebra pequenas conquistas – valoriza o que já alcançaste em vez de só olhar para o que falta.

Faço-te um convite:

Da próxima vez que a tua autocrítica te gritar, experimenta responder com autocompaixão. Não significa baixar a fasquia, mas sim dar-te espaço para errar, aprender e seguir em frente com mais leveza.

Porque, no fim, a pergunta é simples: preferes ter dentro de ti um crítico severo (e implacável) ou um amigo que te apoia?

Helena Paixão – Psicóloga Clínica
Ceo & Founder Clínica Helena Paixão – Psicologia, Mindfulness e Desenvolvimento Pessoal

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