Há uma verdade universal que o verão traz sempre de volta: nada resolve o calor, a preguiça de uma tarde longa ou a necessidade de uma pequena celebração sem razão aparente como um bom gelado. E Portugal, apesar de não ser Itália, tem uma cena de gelatarias que merece muito mais reconhecimento do que normalmente recebe. Desde as clássicas que existem há décadas até às que chegaram com novas ideias e ingredientes inesperados, aqui ficam cinco que valem a viagem, ou pelo menos o desvio.
Santini
O Santini é uma instituição. Fundada em 1949 em Cascais por Attilio Santini, um italiano que trouxe para Portugal a tradição do gelado artesanal italiano, a marca atravessou décadas sem perder a essência que a tornou lendária: ingredientes de qualidade, receitas que não mudam quando não devem mudar e sabores que geram lealdades absolutas. O morango e o limão continuam a ser os mais pedidos. Hoje com várias lojas em Lisboa e Cascais, o Santini é um dos raros casos em que a expansão não comprometeu a qualidade. É o gelado de que toda a gente fala quando fala de gelados em Portugal e é raro que uma reputação assim seja completamente merecida. Neste caso é.
Nivà Portugal
A Nivà chegou com uma proposta diferente: gelados de inspiração nórdica, feitos com leite fresco português e sabores que fogem completamente do catálogo convencional. A atenção à origem dos ingredientes, a estética limpa e contemporânea dos espaços e a forma como trabalha sabores sazonais tornaram a Nivà numa das referências mais interessantes da nova geração de gelatarias em Portugal. É o tipo de gelado que surpreende, não apenas pelo sabor, mas pela forma como faz pensar no que um gelado pode ser quando se abandona a fórmula. Para quem gosta de experiências que têm tanto de gastronomia como de conforto, a Nivà é uma descoberta que fica.
Gelados Neveiros
Os Neveiros são parte da memória coletiva de quem cresceu em Portugal. Com décadas de história e uma presença que se espalhou por várias cidades, é a gelataria do dia a dia, do gelado depois da escola, do corneto que se come a andar na rua sem cerimónia. O que os Neveiros fazem com consistência notável é aquilo que muitas gelatarias mais sofisticadas falham: o gelado simples, bem feito, acessível, que não precisa de narrativa para ser bom. A bola de chocolate, a de baunilha, a de limão, tudo exatamente como deve ser. Às vezes o que torna uma gelataria especial não é a inovação. É a fiabilidade. E nisso os Neveiros têm poucas comparações possíveis.
Amorino Portugal
A Amorino chegou a Portugal com o seu formato mais reconhecível: a flor de gelado italiano, construída pétala a pétala diante de ti, que é simultaneamente uma forma de servir e uma declaração estética. Fundada em Paris em 2002 por dois amigos italianos, a marca tem hoje presença em dezenas de países e em Portugal não foi excepção. O gelado é artesanal, feito com ingredientes naturais, sem corantes artificiais, e os sabores combinam os clássicos com propostas mais surpreendentes. Mas o que distingue a experiência Amorino é exactamente esse momento em que a flor vai sendo construída: há qualquer coisa de ritual naquilo que tornaria qualquer gelado mais especial, mesmo antes de o provar. Em Lisboa e no Porto, é uma das paragens certas para uma tarde de verão.
Mabi — Vila Nova de Mil Fontes
Há gelatarias que são destinos. A Mabi, em Vila Nova de Mil Fontes, é exatamente isso. Instalada numa das vilas costeiras mais bonitas do Alentejo Litoral, a Mabi tornou-se ao longo dos anos uma referência obrigatória para quem passa por ali e uma das razões pelas quais muita gente volta a Mil Fontes com regularidade. Os sabores trabalham com produtos locais e da época, com uma atenção ao ingrediente que se sente logo na primeira colherada. É o tipo de gelataria que não precisa de se anunciar em voz alta: a fila à porta diz tudo. Vai, experimenta, e depois percebe o que toda a gente que já conhece nunca se cansa de recomendar.
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