Por Tatiana Figueiredo (Já agora, tenho 43!)
Mudanças no corpo e na alma.
Não é futilidade. É realidade.
O corpo e a cabeça começam a mudar e temos de aprender a olhar para nós mesmas com outros olhos. É inevitável.
De repente, dormimos na posição errada e parece que participámos num campeonato de luta greco-romana. A digestão já não é o que era (o jantar das 22h começa a pedir um comprimido e um chá de camomila), e o metabolismo… bem, esse resolveu tirar férias prolongadas sem aviso prévio, a roupa aperta e quase não conseguimos respirar, o tamanho S (no meu caso) já não assenta bem e damos por nós a mandar metade do armário fora!
Os 40 trazem uma coisa maravilhosa chamada consciência. Mas também trazem muitas mudanças importantes, nem sempre fáceis de aceitar ou gerir. Sabemos melhor quem somos, o que queremos (e o que já não estamos dispostas a tolerar). Ganhamos filtro emocional, perdemos paciência para dramas e aprendemos a dizer “não” sem culpa… vá, quase sem culpa.
Mas é nesta altura que o corpo começa a pedir mais atenção: O sono fica mais leve (o que se traduz em muitas noites mal dormidas!), as hormonas entram em modo “montanha-russa” (e eu sei bem o que isso é não tendo já tiróide!), a pele pede mais hidratação e o humor… digamos que parece um carrossel.
No meu caso, o corpo começou a dar sinais subtis (ou talvez nem tanto): as ancas alargaram, o metabolismo abrandou, a saúde intestinal entrou em modo drama queen, e aquela rotina alimentar que me acompanhava há anos deixou de funcionar. Alguns alimentos passaram a ser vistos como inimigos e, de vez em quando, sinto-me uma autêntica “barata tonta” a tentar perceber o que o meu corpo quer dizer sem entrar em modo pânico.
A compaixão e a paciência tornam-se as nossas melhores amigas, não é? O nosso querido corpo, que já sustentou tanto, começa a pedir um carinho e atenção diferentes e é preciso ouvi-lo com amor e fazer-lhe as vontades (senão faz birra!). E não chegamos sequer ao tema perimenopausa!
O meu guarda-roupa parece que encolheu na máquina de lavar, qualquer alteração maior na rotina ou nos horários e o corpo reclama, passei a usar óculos para ver ao perto e o cansaço torna-se uma realidade.
A verdade é que as mudanças físicas começam a acontecer (hormonas ao rubro, já sabemos!) e percebi que aos 40 não posso estar sempre em modo “fazer”, preciso muito mais de “sentir” e é imperativo de cuidar de mim de forma diferente – com mais respeito e consciência.
E a cabeça muda com o corpo. De forma natural.
Novos interesses e rotinas, uma fase de descobertas e reencontros, onde o prazer de viver se renova. Acredito que quando somos verdadeiramente honestas connosco, quando nos reencontramos, estabelecemos prioridades e limites, os 40 são do caraças!
Se é desafiante viver tudo isto? Sim!
Se é assustador? Claro!
Se há pessoas que não vão entender? Quase de certeza!
Se é preciso sermos mais firmes? Sem dúvida.
Mas, tal como em tudo na vida, nada é permanente então quando aceitamos este novo eu, tudo fica bem. Tudo faz sentido. Tudo acontece de forma mais calma. Porque, no fundo, as rugas contam histórias, o corpo conta conquistas, e a alma… essa floresce como nunca.
Artigo por Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream