Por Tatiana Figueiredo (já agora, tenho 43!)
Não foi um salto, mas também não foi assim tão devagar. Foram anos que se foram encaixando uns nos outros, como peças de um puzzle que agora começo a conseguir ver com mais nitidez. Aos 40, a vida já deixou algumas (muitas!) marcas, mas também oferece uma força que antes não sabíamos que tínhamos.
Quem sente o mesmo?
Há um momento estranho, quase silencioso, em que percebemos que já não temos 20. Nem 30. E tudo bem (tem dias, claro!). Porque os 40 não gritam juventude, mas sussurram maturidade. Trazem uma consciência que antes não sabíamos sequer existir. Já não é preciso provar tanto, correr tanto, agradar tanto. E isso… liberta. Uffff (visualizar um suspiro em alto e bom tom.)
Aos 40 já se perdeu. Já se ganhou. Já se amou de verdade e também se sofreu até doer o corpo. Já se acreditou em promessas que não se cumpriram, já se sobreviveu a invernos internos e a primaveras que chegaram tarde. Já se chorou no silêncio, a caminho do trabalho ou no meio da noite. Já se foi frágil sem mostrar. E também se foi forte sem querer.
Mas aos 40, há algo de profundamente bonito: já não precisamos esconder quem somos. E isto demora a acontecer, muitas vezes. Já nos vestimos como queremos, escolhemos as batalhas, dizemos mais vezes “não” sem culpa. Percebemos que o tempo é bem mais valioso do que a pressa e a correria. E que a paz (principalmente de espírito) vale mais do que a razão.
Aos 40, há rugas novas e cabelos brancos a aparecer, mas há também histórias por trás de cada traço. Há um corpo que talvez já não seja o de antes, mas que sabemos cuidar com mais respeito. E há uma mente que já entendeu que saúde é o que mais importa — física, emocional e mental.
Os amigos já não são muitos, mas são certos. Já não é preciso estar em todo o lado, nem dizer “sim” a tudo. E aos poucos, vamos encontrando prazer nas coisas simples: no silêncio, num café quente pela manhã, numa caminhada ao pôr do sol, num abraço demorado. Passamos a ver beleza onde antes passávamos depressa demais para reparar.
Se calhar, aos 40 ainda há sonhos por realizar. Eu tenho muitos! Ainda há medos, inseguranças, perguntas sem resposta. Também tenho uma mão cheia! Agora sabemos que não precisamos ter tudo resolvido. A vida não exige perfeição, só presença. E isso muda tudo.
Começamos a viver com mais intenção. A escolher melhor. A deixar ir o que já não faz sentido — pessoas, lugares, rotinas. E a manter por perto aquilo que nos alimenta por dentro.
E de repente, sim, já nos 40… estou há três anos a tentar encontrar-me nesta nova década!
Mas com vontade de viver como nunca. Embora, por vezes, o corpo não permita!
Com uma gratidão que cresce todos os dias. Isto é mesmo verdade!
Com um amor mais calmo, mais inteiro. Mas ainda a desejar muitas noites tórridas de bom sexo.
Com menos pressa e mais verdade. E, no meu caso, filhos à mistura!
Não é o fim de nada, óbvio. É o recomeço com mais lucidez. Sempre ouvi dizer que os 40 eram os novos 20 (ainda estou a tentar perceber porquê!). É saber que o tempo é um presente — e que ainda há tanto por sentir, por fazer, por aprender.
E se antes temíamos o passar dos anos, agora começamos a entendê-los como medalhas de vida vivida. E que privilégio é envelhecer com consciência, com história, com alma.
Porque, no fundo, a vida aos 40 não é menos…
É mais. Muito mais.
Tatiana Figueiredo
#TheGlitterDream