Quando estamos carentes de validação, estes dois conceitos podem ser facilmente confundidos. Ser desejada é fácil. Podes ser desejada por alguém que não te respeita, que não te conhece, que não quer uma relação contigo e que desapareceria amanhã se aparecesse uma opção que lhe interessasse mais, e porquê? porque o desejo não exige responsabilidade.
Ser escolhida é outra coisa. É alguém que, entre todas as possibilidades, decide construir, aparecer e ficar. E talvez esta seja uma das razões pelas quais confundimos tanto atenção com amor. Porque ser desejada alimenta o ego. Ser escolhida exige muito mais e é exatamente por isso que ficamos obcecadas com relações que nunca chegam a existir, aquele “quase” que podia ter sido tudo, porque recebemos atenção suficiente para não perder a esperança, mas nunca suficiente para nos sentirmos seguras.
Uma escolha exige consistência, presença, vulnerabilidade e compromisso, é perceberes que alguém continua a escolher-te mesmo quando a novidade desaparece mas o problema é que ser desejada sabe bem. Há qualquer coisa de intoxicante em saber que alguém ainda nos quer. Mesmo quando sabemos que essa pessoa não nos pode (ou não nos quer) oferecer aquilo de que realmente precisamos.
E ficamos presas naquele limbo a que continuamos a chamar conexão. Uma pessoa pode querer-te e, ainda assim, não te escolher. No fim, aquilo que alguém sente por nós pode ser intenso mas não ser suficiente. E não precisas de ter vergonha se te revês nestas palavras, é muito mais confortável acreditar que alguém está “confuso” do que aceitar a inconsistência de quem nunca nos vai escolher. Porque quando dizes, “ele gosta de mim, só não sabe o que quer”, ele sabe. Só não quer o suficiente.
Romantizamos a toxicidade das relações complexas, queremos ser a mulher que ele não consegue esquecer quando deveríamos querer ser a mulher que ele não pensa duas vezes em assumir, queremos ser aquela para quem envia uma mensagem às duas da manhã porque teve uma vontade súbita de nos ver, quando deveríamos ser a pessoa que ele escolhe ás duas da tarde, à luz do dia, quando não está carente e sozinho.
O desejo sem ação é só uma sensação. E sensações não constroem relações, talvez a coisa mais humilhante não seja propriamente não ser escolhida mas sim passares meses a implorar a alguém para que o faça. A tentar ser mais bonita, mais interessante, mais distante, mais disponível, menos disponível. A desaparecer para ele sentir a tua falta. A aparecer para ele não te esquecer. A interpretar cada like, cada mensagem e cada silêncio, tudo para chegar a uma conclusão que estava à tua frente desde o início: a verdadeira rejeição não é alguém não te escolher, é tu continuares a escolher alguém que já mostrou que não te quer. E essa sim, é uma escolha que ainda vais a tempo de tomar.
Artigo por Rita Pinto Da Silva
#TheGlitterDream