O date correu bem? Talvez estejas a fazer a pergunta errada

Há um momento de que não se fala o suficiente. Não é do date. É do pós-date. 

Aquele momento em que chegas a casa e começas a rever mentalmente tudo o que aconteceu. A conversa. Os silêncios. Os gestos. A forma como a outra pessoa sorriu. Aquele comentário que, na altura, pareceu normal, mas que agora estás a analisar pela décima vez. De repente transformas-te numa autêntica investigadora e especialista em interpretar sinais. 

Houve química? Sentiu interesse? Aquele “vamos falando” foi genuíno ou apenas uma forma educada de terminar o date? 

O pós-date é natural, faz parte do processo. O problema é que, muitas vezes, uma pessoa está tão concentrada em perceber se deixou uma boa impressão, se a outra pessoa gostou de nós e em calcular a probabilidade de haver um novo date, que se esquece de fazer a pergunta mais importante: Eu gostei dela?

Em vez de concentrares todos os teus esforços em interpretar cada olhar ou cada mensagem que ainda não chegou, experimenta avaliar o encontro fazendo três (grandes) perguntas.

1. Senti-me confortável? 

Consegui ser eu própria? Falei com naturalidade? Ou passei o encontro inteiro preocupada com a impressão que estava a causar?

2. A outra pessoa tratou-me bem? 

Foi educada? Respeitou os meus limites? Mostrou interesse genuíno em conhecer-me? A atração é importante, mas a forma como alguém nos trata também diz muito sobre a pessoa e sobre a experiência que tiveste.

3. Tenho vontade de a voltar a ver? 

Não estamos a falar de decidir se encontraste o amor da tua vida. Apenas de perceber se saíste daquele encontro com curiosidade suficiente para querer repetir a experiência.

As respostas a estas perguntas dizem mais sobre o “sucesso” de um date do que mil e um áudios de análise pós-date enviados às amigas.  Não te estou a dizer para não os enviares. Só para responderes primeiro às tuas próprias perguntas antes de abrires o debate.

Estas perguntas obrigam-te a olhar para a única coisa que realmente conheces: a tua experiência. Em vez de procurares sinais escondidos, avalias factos. O resto são, muitas vezes, hipóteses. E tu sabes isso. 

O facto de a pessoa ter enviado uma mensagem uma hora depois, de o date se ter prolongado por mais meia hora ou de a pessoa ter olhado para ti de determinada forma pode significar muita coisa. Ou pode não significar absolutamente nada. 

Quando avaliamos um date com base na nossa experiência, tomamos decisões mais conscientes e evitamos cair em espirais de overthinking que raramente nos dão respostas reais.

Sentires-te confortável, respeitada e interessada em voltar a estar com aquela pessoa são sinais mais fiáveis.

E há outra coisa que vale a pena lembrar: nem todos os encontros têm de dar origem a uma relação. Mas também não precisam de dar origem a uma investigação.

Por isso, depois de um date, faz uma pausa. Larga o relatório. Responde às perguntas. E deixa que os factos façam o resto. 

Artigo por Rita Sepúlveda

Investigadora ICNOVA, Instituto de Comunicação da Nova

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