Há quem veja a ausência de fotografias a dois como sinal de que alguém está a esconder a relação. Outros defendem exatamente o contrário e preferem manter aquilo que é importante longe das redes sociais. Num tempo em que quase tudo acaba no Instagram, até onde vai a privacidade e onde começa o segredo?
Começa quase sempre da mesma forma. Namoram há meses, fazem viagens juntos, saem para jantar, passam fins de semana fora e existem dezenas de fotografias no telemóvel. No Instagram dele, contudo, não há uma única pista de que está numa relação.
É normal que a dúvida apareça. Porque uma coisa é alguém que praticamente não utiliza redes sociais. Outra é uma pessoa que publica o jantar, o ginásio, os amigos, as férias, o cão e o pôr do sol, mas consegue manter o namorado ou a namorada completamente fora do enquadramento.
Então, afinal, não publicar fotografias da relação é red flag ou green flag?
A resposta depende menos da fotografia e muito mais de tudo aquilo que acontece à volta dela.
Quando pode ser uma green flag
Há pessoas genuinamente privadas e relações que funcionam muito bem sem qualquer necessidade de validação pública.
Nem todos sentem vontade de transformar momentos íntimos em conteúdo e, para alguns casais, preservar uma parte da vida apenas para os dois acaba por ser bastante saudável. Não existe a pressão de criar uma imagem permanente de felicidade, de publicar cada aniversário ou de provar aos outros que a relação está bem.
Existe também alguma verdade naquela ideia de “quem não sabe, não estraga”. Já falamos sobre isto, e concordamos. Quanto menos informação se coloca nas redes sociais, menos espaço existe para opiniões, comparações, comentários e pessoas que acompanham todos os movimentos de uma relação sobre a qual sabem muito pouco.
Uma pessoa pode não publicar fotografias contigo e, ao mesmo tempo, integrar-te completamente na sua vida. Os amigos sabem quem és, conheces a família, acompanham eventos juntos, não existe qualquer problema em aparecerem lado a lado em público e a relação é assumida naturalmente fora do Instagram.
Nesse cenário, a ausência de fotografias pode simplesmente significar que a relação é privada. E privado não significa secreto.
Quando começa a parecer uma red flag
O contexto muda completamente quando existe um esforço ativo para esconder a relação.
Se publica frequentemente a vida pessoal, mas nunca permite que apareças, evita ser identificado nas tuas fotografias, remove tags, não quer que comentes determinadas publicações ou demonstra desconforto sempre que alguma coisa pode revelar que está comprometido, já existe uma diferença importante entre preservar intimidade e construir uma imagem de pessoa solteira.
Também merece atenção quando essa invisibilidade digital acompanha outros comportamentos fora das redes sociais, como nunca te apresentar aos amigos, evitar determinados lugares contigo, manter círculos da vida completamente separados ou não assumir claramente a relação perante outras pessoas.
Uma fotografia isolada no Instagram não prova nada, mas um conjunto consistente de comportamentos pode dizer bastante.
E se ele publica tudo menos a relação?
Este é provavelmente o cenário que provoca mais dúvidas. Uma pessoa que publica duas vezes por ano e nunca coloca fotografias do parceiro está simplesmente a manter o padrão habitual. Uma pessoa que mostra diariamente onde está, com quem está, o que veste e o que faz, mas cuidadosamente exclui a relação, está a fazer uma escolha mais consciente.
Isso não significa automaticamente que exista traição ou uma segunda vida. Pode haver razões perfeitamente legítimas, desde experiências anteriores a uma preferência por separar a exposição digital da vida amorosa.
A questão importante passa a ser perceber porque é que essa fronteira existe apenas contigo e se os dois estão confortáveis com ela.
Publicar muito também não prova que uma relação é feliz
Casais que publicam declarações constantes, fotografias perfeitas, viagens, flores e aniversários podem estar genuinamente felizes. Podem também estar a mostrar apenas a parte da relação que querem que os outros vejam. As redes sociais oferecem uma versão editada da vida e uma fotografia romântica nunca foi um certificado de felicidade.
Por isso, também não faz sentido assumir que quem publica muito está a compensar alguma coisa. Há pessoas naturalmente expansivas e outras reservadas. A quantidade de fotografias diz muito pouco quando observada sem contexto.
O verdadeiro teste acontece fora do Instagram
Antes de avaliar a relação pelo feed, há perguntas muito mais úteis. Sentes que ele te assume na vida real? As pessoas importantes para ele sabem que vocês estão juntos? Existe coerência entre a forma como te trata em privado e em público? Sentes que faz parte da vida dele ou que estás permanentemente numa zona escondida?
Essas respostas dizem muito mais do que uma fotografia. Também importa perceber o que tu precisas. Se para ti é importante que a relação seja reconhecida publicamente, não tens de fingir que não te incomoda apenas porque o outro considera as redes sociais irrelevantes. Da mesma forma, alguém que valoriza privacidade não deveria sentir-se obrigado a transformar a relação numa sequência de publicações.
O equilíbrio aparece quando os dois conseguem falar sobre isso sem jogos, acusações ou justificações estranhas.
Então, red flag ou green flag?
Green flag: não publica a relação, mas assume-te claramente na vida real, inclui-te no seu mundo e não existe qualquer esforço para esconder que estão juntos.
Red flag: publica toda a vida, mas elimina sistematicamente qualquer sinal da tua existência e comporta-se online como se estivesse solteiro.
No final, a questão nunca esteve verdadeiramente na fotografia. Porque uma relação pode estar completamente ausente do Instagram e ocupar um lugar enorme na vida de alguém. E também pode aparecer todos os dias no feed e estar muito longe da perfeição que vemos no ecrã. Mais importante do que aparecer nas redes é perceber se tens um lugar claro na vida dele quando o telemóvel fica pousado na mesa.
#GlitterUpYourLife