Há qualquer coisa de profundamente satisfatório em encontrar uma peça que não aparece em todos os feeds, que já não existe nas lojas e que dificilmente vamos ver noutra pessoa. É precisamente essa sensação que está por detrás de “the thrill of the hunt”, uma tendência associada ao prazer da procura e da descoberta, que está a ganhar espaço na moda, nos acessórios e até na decoração.
Durante os últimos anos, as redes sociais tornaram as tendências mais rápidas e acessíveis. Uma mala aparece num vídeo, poucos dias depois está em milhares de publicações e, num espaço muito curto de tempo, aquilo que parecia especial transforma se numa escolha previsível. Agora, muitos consumidores começam a procurar exatamente o contrário.
A peça certa pode demorar semanas a aparecer
Plataformas como Vinted, Vestiaire Collective, Depop, eBay e Catawiki transformaram a compra de segunda mão numa experiência muito mais próxima de uma caça ao tesouro. Quem entra nestas plataformas nem sempre procura apenas o preço mais baixo. Há quem procure uma mala de uma coleção antiga, um casaco descontinuado, umas botas que já não estão à venda ou uma peça de um designer numa cor específica. A procura pode prolongar se durante dias ou semanas, e é precisamente esse processo que torna a compra mais interessante. Existe uma diferença emocional entre comprar uma peça disponível em centenas de lojas e descobrir algo que parecia difícil de encontrar.
Vintage deixa de ser apenas uma questão de sustentabilidade
A sustentabilidade continua a ser uma das razões para o crescimento do mercado de segunda mão, mas a individualidade ganhou um peso cada vez maior. Comprar vintage permite construir um guarda roupa menos condicionado pelas tendências da estação e encontrar peças que já não fazem parte das coleções atuais.
Também existe uma nova curiosidade pelos arquivos das marcas. Coleções antigas da Prada, Miu Miu, Gucci, Chanel ou Dior voltam regularmente às pesquisas e muitas peças ganham uma nova vida vários anos depois de terem sido lançadas. O interesse está também a tornar os consumidores mais informados, com pesquisas cada vez mais específicas sobre anos, coleções, designers e modelos.
A mesma tendência chegou à decoração
O fenómeno já ultrapassou a moda. Mercados de antiguidades, lojas vintage, leilões e plataformas de segunda mão tornaram se lugares procurados por quem quer criar casas menos uniformes, misturando mobiliário contemporâneo com candeeiros antigos, cerâmica, arte, livros e peças encontradas ao longo do tempo.
Um interior totalmente comprado na mesma loja pode ser bonito, mas um objeto encontrado numa viagem, herdado ou descoberto num mercado acrescenta uma dimensão que dificilmente se consegue reproduzir.
Ter algo diferente tornou-se uma forma de luxo
A verdadeira mudança está naquilo que começamos a considerar especial. O luxo já não depende apenas do preço ou do nome da marca. A raridade, a história e a dificuldade de encontrar determinado objeto também passaram a ter valor.
Num momento em que os algoritmos conseguem prever grande parte daquilo que vamos querer comprar, procurar sem saber exatamente o que vamos encontrar tornou se inesperadamente divertido.
E é essa a essência de “the thrill of the hunt”: voltar a sentir que fomos nós que encontrámos a peça, em vez de ser a tendência a encontrá-la por nós.
#GlitterUpYourLife