GLITTER TOP 5: os teatros mais bonitos de Portugal

Há teatros onde vamos pelo espetáculo e outros em que basta entrar na sala para perceber que o próprio edifício já faz parte do programa. Lustres gigantes, camarotes de veludo, tetos pintados e mais de um século de histórias: escolhemos cinco dos teatros mais bonitos de Portugal. Não é um ranking científico, é uma lista assumidamente apaixonada por lugares onde apetece chegar antes de as luzes se apagarem.

1. Teatro Nacional de São Carlos, Lisboa
Se tivéssemos de escolher o teatro português com maior energia de La Scala em versão lisboeta, começávamos aqui. Inaugurado em 1793, no Chiado, o São Carlos é um edifício neoclássico de influência italiana, Monumento Nacional e o único teatro lírico de Portugal. A sala principal, de planta elíptica, tem cinco ordens de camarotes e aquele tipo de decoração que nos faz imediatamente desejar uma ópera, um vestido comprido e uma vida ligeiramente mais dramática. Atualmente encontra-se encerrado ao público para obras de reabilitação e requalificação.

2. Theatro Circo, Braga
Vermelho, dourado, um grande lustre e um telão de boca de cena que merece alguns minutos de contemplação antes de começar qualquer espetáculo. O Theatro Circo abriu em 1915, foi projetado por João de Moura Coutinho e passou por uma profunda recuperação antes de reabrir em 2006. A sala principal mantém a linguagem dos teatros à italiana, distribuída por plateia, galerias e três balcões de camarotes, mas esconde tecnologia contemporânea por detrás de todo aquele glamour centenário. Patti Smith, Caetano Veloso, Rosalía e Rufus Wainwright são apenas alguns dos artistas que já passaram pelo palco.

3. Teatro Garcia de Resende, Évora
É provavelmente um dos lugares mais inesperadamente bonitos desta lista. A primeira pedra foi lançada em 1881 e o teatro ficou concluído em 1890, depois de uma história atribulada que envolveu a elite local, beneméritos e uma equipa de pintores e artífices contratada especialmente para os acabamentos. O resultado é uma sala profundamente oitocentista, ornamentada, íntima e com aquele charme de outro tempo que faz parecer perfeitamente razoável chegar ao espetáculo de luvas compridas.

4. Teatro Nacional São João, Porto
Em plena Praça da Batalha, o São João consegue ter a imponência de um grande edifício institucional sem perder o glamour de teatro clássico. O primeiro Real Teatro de São João abriu em 1798, mas foi destruído por um incêndio em 1908. O edifício que conhecemos hoje nasceu do projeto de José Marques da Silva e foi inaugurado em 1920, conciliando ornamentação, monumentalidade e as inovações técnicas da época. Depois de décadas em que funcionou sobretudo como cinema, foi recuperado nos anos 90 e voltou definitivamente ao teatro.

5. Teatro Lethes, Faro
Se gostamos de teatros com uma boa história, o Lethes ganha pontos antes mesmo de entrarmos. O edifício começou por ser um colégio jesuíta fundado no final do século XVI, passou por ocupação durante as invasões napoleónicas e acabou transformado em teatro no século XIX, por iniciativa de Lázaro Doglioni, que queria criar em Faro uma sala inspirada no São Carlos de Lisboa e no La Scala de Milão. Foi inaugurado em 1845 e ainda guarda todo aquele ambiente intimista e misterioso dos pequenos teatros históricos. Como bónus, a história do edifício inclui lendas sobre uma bailarina e até um esqueleto de um militar napoleónico encontrado emparedado. Impossível competir com este nível de drama.

Entre Lisboa, Braga, Évora, Porto e Faro, estes cinco provam que ir ao teatro também pode ser uma experiência de arquitetura, história e puro escapismo. E há qualquer coisa que streaming nenhum conseguiu ainda reproduzir: entrar numa sala destas, olhar para cima e esperar que as luzes se apaguem.

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