Se passa algum tempo no TikTok ou no YouTube, há uma boa probabilidade de já ter visto uma escada, duas pessoas frente a frente e uma pergunta muito simples: “consegues adivinhar o meu trabalho?”. O formato chama-se Career Ladder, transformou Max Klymenko num fenómeno global e já o levou a conversar com milhares de pessoas. Agora, o criador está confirmado no Happiness Camp 2026, no Porto. E sim, a entrada continua a ser gratuita.
Max Klymenko percebeu uma coisa que parecia improvável: falar sobre carreiras podia ser entretenimento. No Career Ladder, convida alguém a subir para o lado oposto de uma escada e tenta descobrir a sua profissão em poucos minutos, fazendo perguntas sobre dinheiro, formação, rotina, ambição e aquilo que realmente significa fazer determinado trabalho. O formato nasceu precisamente da vontade de falar de profissões sem começar pelos preconceitos habituais associados à aparência, estatuto ou rendimento e acabou por transformar conversas de carreira em vídeos vistos por milhões de pessoas.
O resultado foi bastante maior do que uma série viral. Klymenko reúne hoje uma audiência global de milhões de seguidores nas várias plataformas e, em 2025, foi distinguido como TikTok Creator of the Year no Reino Unido e Irlanda. A sua série tornou-se um fenómeno internacional, levando-o a montar a famosa escada em universidades, grandes conferências e eventos por todo o mundo. O Washington Post descreveu recentemente o projeto como uma operação que está agora a avançar para uma world tour por 130 países.
E a pessoa do outro lado da escada pode ser praticamente qualquer uma. Ao longo do projeto, Klymenko já recebeu nomes como Will Smith, Gordon Ramsay, Shaquille O’Neal, Alex Rodriguez e Kerry Kennedy, além de executivos, estudantes, empresários e profissionais de áreas que provavelmente nem sabíamos que existiam. O Career Ladder também já passou por contextos como o World Economic Forum, a NATO Youth Summit e a Munich Security Conference, levando o formato aparentemente simples para conversas sobre trabalho, política, liderança e sociedade.
O fenómeno pode ser explicado pelo facto de queremos descobrir a profissão daquela pessoa, mas acabamos, dois minutos depois, a pensar na nossa. Klymenko tornou temas como carreira, ambição, salários, mudanças profissionais e propósito acessíveis a uma geração que dificilmente procuraria uma conferência tradicional sobre recursos humanos.
Agora, essa conversa chega ao Happiness Camp, que regressa à Alfândega do Porto a 24 de setembro de 2026. O evento apresenta-se como a maior conferência europeia dedicada à sustentabilidade humana e ao futuro do trabalho e deverá reunir cerca de 20 mil participantes de mais de 85 nacionalidades, colocando no centro temas como liderança, bem-estar, cultura organizacional, Inteligência Artificial e a forma como as pessoas se relacionam com o trabalho.
A presença de Max Klymenko encaixa particularmente bem numa edição que quer discutir precisamente aquilo que está a mudar nas carreiras. Num momento em que a Inteligência Artificial está a transformar profissões, as novas gerações questionam modelos tradicionais de sucesso e uma carreira já raramente significa permanecer décadas na mesma empresa, ouvir alguém que construiu um fenómeno global simplesmente perguntando às pessoas “o que fazes?” parece-nos uma boa maneira de começar a conversa.
Klymenko junta-se assim a um programa que reúne líderes, pensadores e criadores internacionais no Porto. A organização tem apresentado o Happiness Camp como um espaço onde estratégia, ciência e histórias pessoais se cruzam para discutir aquilo que vem a seguir no mundo do trabalho.
E há uma parte que continua a merecer ser repetida: a entrada é gratuita. A organização assume o acesso livre como parte da identidade do Happiness Camp, embora os lugares sejam limitados e sujeitos a inscrição.
De uma escada que começou por servir de cenário a vídeos curtos para uma audiência de milhões até um dos maiores palcos europeus dedicados ao futuro do trabalho. Max Klymenko continua a perguntar às pessoas qual é a sua profissão. No Porto, talvez a pergunta mais interessante seja outra: que profissão vamos ter daqui a dez anos?
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