Nova Iorque deu oficialmente o pontapé de saída na temporada primavera/verão 2027 e, entre regressos, estreias e desfiles que foram muito além de simplesmente pôr roupa numa passerelle, houve cinco que ficaram no nosso radar. Novos criadores e marcas de renome, a Fashion Week também pode servir para abrir portas a quem está a começar. Estes foram os favoritos da Glitter.
1. Cult Gaia
A Cult Gaia regressou à NYFW com “Behesht”, palavra persa para “paraíso”, numa coleção muito mais emocional do que aquilo que normalmente associamos ao perfeito guarda-roupa de férias da marca. Jasmin Larian Hekmat criou-a depois da morte da avó e transformou o luto numa narrativa sobre resiliência e renovação: o desfile começou em tons mais escuros e foi progressivamente abrindo para azul-céu e rosas florais. Pelo caminho houve cestaria arquitetónica, construções feitas com milhares de anéis metálicos, pétalas de organza pintadas à mão e acessórios esculturais em madeira.



2. PIPENCO
Lauren Pipenco foi buscar inspiração às próprias raízes romenas. A coleção cruzou estruturas rígidas com elementos mais suaves, silhuetas esculturais e uma estética quase fantástica. E houve ainda um detalhe que nos deixou curiosas: o desfile antecipou uma futura colaboração da PIPENCO com a UGG. É precisamente aquele tipo de coleção que nos lembra porque gostamos de Fashion Week: não precisamos necessariamente de querer vestir tudo para querer olhar para tudo.



3. KidSuper x The People’s Runway
Este talvez seja o nosso favorito pelo conceito. Em vez de usar o espaço para mostrar apenas mais uma coleção KidSuper, Colm Dillane voltou a transformar o The People’s Runway, em Brooklyn Borough Hall, numa plataforma para novos designers. Cinco talentos emergentes (Moses Aina, Rey Jaiteh, Laurel Tiange Fang, Kuai Li e Roderick Reyes) foram escolhidos entre mais de 300 candidaturas e receberam apoio financeiro, mentoria e a oportunidade de apresentar o seu trabalho perante a indústria e o público. Como se isso não fosse suficiente, Wyclef Jean atuou e Lauryn Hill apareceu de surpresa para fechar a noite. Moda, comunidade e uma passerelle que efetivamente cria oportunidades.



4. Conner Ives
Nova-iorquino de berço, mas associado há anos à London Fashion Week, Conner Ives apresentou finalmente a sua primeira coleção no calendário da NYFW. E não tentou tornar-se mais “americano” para a ocasião, pelo contrário, assumiu paixão e flamboyance como características profundamente americanas. A coleção misturou vestidos de cetim bordado, robes vintage reaproveitados com acabamentos em pelo, polos color-block, jeans ornamentados e as inevitáveis T-shirts com mensagens. Houve ainda estampados de escamas de peixe e fatos masculinos feitos em colaboração com a alfaiataria Gieves & Hawkes, de Savile Row. Um regresso a casa com suficiente caos, glamour e ironia para parecer totalmente Conner Ives.



5. Coach
Talvez uma das coisas mais bonitas da Coach atual seja precisamente não tentar fazer o luxo parecer intocado. Para os 85 anos da casa, Stuart Vevers construiu a coleção em torno de memória, nostalgia e da beleza das coisas que já foram vividas. Houve referências aos anos 90, tons pastel desbotados, ferragens envelhecidas, costuras aparentemente inacabadas e aquela estética de roupa que parece já carregar histórias antes de chegar à loja. Até as referências pessoais de Vevers, incluindo o fato que usou no próprio casamento e imagens de papel de parede antigo entraram no processo criativo. E sim, houve chapéus de aniversário na passerelle, porque fazer 85 anos também merece festa.
O que mais gostámos nesta NYFW foi precisamente a falta de uma fórmula única. Tivemos moda como memória na Coach, luto transformado em beleza na Cult Gaia, folclore na PIPENCO, nostalgia e provocação com Conner Ives e uma passerelle transformada em oportunidade real pela KidSuper.
Cinco desfiles muito diferentes. E cinco bons motivos para continuarmos a ver Fashion Week até ao último look.



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