Lady Gaga tornou-se mãe praticamente sem o mundo perceber, Sydney Sweeney voltou a colocar a internet a discutir onde acaba o empowerment e começa a objetificação, e Céline Dion regressou finalmente aos palcos depois de seis anos. Três histórias completamente diferentes, mas com qualquer coisa em comum: todas nos fizeram parar o scroll e pensar um bocadinho mais do que os habituais três segundos.
1. Lady Gaga teve um bebé e talvez a verdadeira notícia seja termos descoberto só agora
Mother Monster tornou-se, aparentemente, mãe. Lady Gaga e o noivo, Michael Polansky, terão recebido o primeiro filho e foram fotografados no norte da Califórnia com um recém-nascido. Até agora, não foram divulgados o nome, o sexo ou sequer a data de nascimento da criança e não existe informação confirmada sobre a forma como o casal se tornou pai e mãe. Gaga também nunca anunciou publicamente uma gravidez.
Isso é o que torna a história tão fascinante. Estamos a falar de Lady Gaga, uma das mulheres mais fotografadas do planeta, e ainda assim conseguiu atravessar um dos acontecimentos mais importantes da vida sem transformar o processo numa narrativa pública. Depois de anos em que aprendemos detalhes de gravidezes de celebridades através de testes positivos filmados, gender reveals, baby showers e capas de revista, existe qualquer coisa quase revolucionária em descobrir no fim.
Gaga já tinha falado várias vezes sobre a vontade de ser mãe e, em 2025, chegou a dizer que esse seria o seu próximo grande papel. Mas a maneira como escolheu, até agora, proteger este capítulo levanta uma pergunta interessante: quando foi que começámos a sentir que uma gravidez famosa também nos pertencia?
2. Sydney Sweeney, uma bola de futebol e a eterna pergunta: empowerment ou objetificação?
Sydney Sweeney voltou a estar no centro de uma polémica publicitária. Desta vez, protagoniza uma campanha para a Novig, plataforma norte-americana de previsões desportivas da qual é também parceira estratégica e acionista. No anúncio, aparece praticamente nua, usando bolas e equipamentos de diferentes modalidades para tapar o corpo, enquanto desafia o público a provar que percebe realmente de desporto.
O problema? Várias atletas consideraram que a campanha reduz novamente as mulheres no desporto à sexualidade. Nomes como a campeã olímpica australiana Ariarne Titmus criticaram publicamente o anúncio, e várias desportistas responderam nas redes sociais mostrando aquilo que entendem ser uma representação real da mulher no desporto: treino, força, disciplina e desempenho.
E aqui começa uma discussão que a internet parece nunca conseguir resolver. Uma mulher usar conscientemente a própria sensualidade é automaticamente objetificação? Ou dizer-lhe que não o pode fazer também limita a sua autonomia? A questão fica ainda mais complicada porque Sweeney não é apenas uma modelo contratada para a campanha, tem participação no negócio. Ao mesmo tempo, o contexto importa: uma mulher posar de forma sexualizada porque quer não significa que todas as escolhas publicitárias que sexualizam mulheres estejam acima de crítica.
3. Céline Dion regressou. E desta vez “comeback” parece uma palavra muito pequena
No sábado, Céline Dion subiu a um palco para dar o primeiro concerto completo em mais de seis anos. A cantora regressou em Paris depois de uma longa ausência provocada pela síndrome da pessoa rígida, a rara doença neurológica que revelou publicamente em 2022 e que afeta os músculos, incluindo aqueles de que depende para cantar.
Já a tínhamos visto naquele extraordinário regresso durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024. Mas uma canção e um concerto inteiro são coisas muito diferentes. Desta vez foram mais de duas horas em palco, 25 músicas e milhares de pessoas a assistir a uma Céline visivelmente emocionada voltar a fazer aquilo que, durante algum tempo, ninguém sabia se conseguiria voltar a fazer.
E talvez seja por isso que os vídeos do concerto estão a provocar uma reação tão forte. Não é apenas nostalgia por My Heart Will Go On ou All By Myself. Estamos habituados a falar de comebacks como estratégias: novo álbum, nova estética, nova era, nova campanha. Este não parece isso. Parece simplesmente uma mulher a recuperar uma parte da vida que uma doença lhe tirou.
Também há qualquer coisa importante na forma como estamos a assistir. Não precisamos que Céline cante exatamente como cantava aos 30 anos para que o regresso seja extraordinário. Não precisamos de transformar recuperação numa história perfeita de “superação”, como se uma doença crónica desaparecesse porque houve uma noite triunfante. Ela continua a gerir uma condição séria. O feito está precisamente em ter conseguido voltar com o corpo que tem agora, e não fingindo que nada aconteceu.
Lady Gaga lembra-nos que nem tudo precisa de ser público. Sydney Sweeney mostra como ainda estamos longe de chegar a consenso sobre mulheres, sexualidade e poder. E Céline Dion prova que regressar não significa necessariamente voltar a ser quem éramos.
Nada mau para três coisas que começaram por aparecer no nosso feed.
#GlitterUpYourLife