Há uma coisa muito estranha que acontece quando, depois de uma fase menos boa, a vida começa finalmente a correr bem. Em vez de simplesmente aproveitarmos, começamos a pensar: “O que é que vem aí de mau?”
Como se fosse impossível estar tudo bem durante demasiado tempo.
Conseguiste finalmente aquele emprego que querias depois de meses a tentar perceber o que querias fazer. Tens estabilidade. Gostas da tua casa. Tens uma relação que te faz bem.
Tens amigos com quem sabes que podes contar. Tens estabilidade financeira. Tens saúde. A tua família está bem. A tua vida, no geral, está… bem.
E, em vez de pensares “que sorte a minha”, aparece uma vozinha muito irritante na cabeça:
“Mas isto não pode continuar assim.”
E depois começa.
Será que vai acontecer alguma coisa?
Será que alguma coisa vai correr mal?
Será que estou demasiado feliz?
Será que daqui a uns meses vou estar a passar por uma fase horrível?
É quase como se estivéssemos à espera que a vida nos venha cobrar por estarmos demasiado felizes. E acho que isto acontece muito mais quando já passámos por fases difíceis.
Porque depois de alguma instabilidade, começamos a desconfiar da estabilidade.
Se durante muito tempo estiveste habituada a ter problemas para resolver, quando finalmente não tens nenhum, o silêncio parece estranho. Não há nada para resolver.
Não há nenhuma crise para antecipar. Não há nenhum problema urgente.
E, mesmo assim, o cérebro arranja um.
É quase ridículo.
Mas é real.
E acho que uma das coisas mais difíceis de aprender é que nem tudo o que está bem precisa de uma ameaça à espera. Às vezes, está simplesmente bem.
O problema é que o medo dá-nos uma falsa sensação de controlo.Se eu estiver constantemente a imaginar tudo o que pode correr mal, sinto que estou preparada.
Se pensar em todas as possibilidades, talvez consiga evitar alguma delas.
Só que não funciona assim.
Passamos tanto tempo a tentar preparar-nos para coisas que ainda nem aconteceram que acabamos por não viver verdadeiramente aquilo que está a acontecer.
Como se dizer “está tudo bem” em voz alta pudesse fazer com que deixasse de estar.
Porque sim, alguma coisa pode correr mal amanhã. Pode. A vida é imprevisível e não temos controlo sobre tudo. Mas também pode não correr. E não faz sentido sofrer hoje por uma coisa que talvez nunca aconteça.
Talvez daqui a seis meses alguma coisa mude.
Talvez daqui a um ano estejamos a viver uma realidade completamente diferente.
Mas hoje?
Hoje está tudo bem.
E talvez seja suficiente.
Porque talvez a felicidade não seja estar sempre eufórica.
E talvez o verdadeiro desafio seja termos coragem para acreditar que, por agora, está tudo bem.
Artigo por Carolina Silva
#GlitterUpYourLife