Dormitórios gigantes, festas todas as noites, grupos de amigos inseparáveis e uma quantidade surpreendente de tempo livre. Durante anos, Hollywood vendeu-nos a universidade como o melhor capítulo possível da vida adulta. Entre American Pie, Road Trip e Felicity, houve uma geração inteira que chegou ao ensino superior à espera de encontrar muito mais do que uma sala de aula.
Antes de percebermos que ir para a universidade também significava horários às oito da manhã, fotocópias, trabalhos de grupo e almoços de máquina, o cinema e a televisão já nos tinham apresentado uma versão bastante mais interessante. Nos Estados Unidos, sobretudo, o college parecia uma espécie de universo paralelo onde todos viviam em residências enormes, atravessavam campus perfeitos com um café na mão e conseguiam ter uma vida social intensa sem que ninguém parecesse particularmente preocupado com os exames. Verdade? Nem sempre. Mas funcionou lindamente.
1. American Pie
Tecnicamente, o primeiro filme ainda acompanha o último ano do liceu, mas toda a saga transformou aquela passagem para a universidade num rito de iniciação. Festas, amizades, romances, decisões péssimas e a sensação de que a vida adulta estava prestes a começar. Provavelmente não era o melhor manual para preparar a entrada no ensino superior. Mas como campanha de marketing involuntária para a liberdade universitária? Imbatível.
2. Road Trip
Quatro estudantes atravessam os Estados Unidos numa viagem completamente caótica para tentar recuperar uma cassete enviada à pessoa errada. É absurdo, muito início dos anos 2000 e praticamente tudo aquilo que não recomendamos fazer. Mas entre dormitórios, amigos, viagens improvisadas e nenhuma supervisão adulta aparente, Road Trip ajudou a criar aquela ideia irresistível de que a universidade era sobretudo o lugar onde finalmente começavam as histórias que contaríamos durante anos.
3. Felicity
Se American Pie nos vendeu a festa, Felicity vendeu-nos a versão romântica. Felicity Porter muda-se para Nova Iorque para estudar e, de repente, universidade significa independência, novos amigos, romances complicados, cafés onde toda a gente parece ter tempo para conversar e a possibilidade de descobrir quem somos longe de casa. Também nos ensinou que uma mudança de cabelo pode tornar-se assunto nacional, mas isso é outra conversa.
4. Legally Blonde
Elle Woods entra em Harvard Law praticamente para recuperar um namorado e acaba por perceber que é muito mais capaz do que todos à sua volta imaginavam. Entre outfits cor-de-rosa, livros de Direito e uma das melhores vinganças académicas do cinema, Legalmente Loira conseguiu uma coisa rara: fazer estudar parecer simultaneamente difícil e extremamente cool. E provou que ser inteligente nunca obrigou ninguém a desistir de gostar de moda.
5. Van Wilder
Ryan Reynolds como o aluno que parece ter transformado permanecer na universidade numa profissão. Van Wilder levou ao extremo a fantasia do estudante mais popular do campus: festas gigantes, associações estudantis, dormitórios e uma agenda social que aparentemente deixava pouquíssimo espaço para qualquer atividade académica. Nada realista. Muito eficaz.
6. Pitch Perfect
Talvez nunca tenhamos pensado seriamente em juntar-nos a um grupo universitário de a cappella, mas depois chegaram as Barden Bellas. Pitch Perfect mostrou o campus como um lugar onde podemos entrar sozinhos e encontrar uma pequena família através de uma atividade completamente inesperada. Competições, festas, amizades e Anna Kendrick a cantar com um copo: difícil não querer experimentar pelo menos um semestre.
7. Gilmore Girls
Rory Gilmore fez duas universidades parecerem destinos turísticos. Primeiro Harvard, como sonho de infância, e depois Yale, com os edifícios históricos, bibliotecas, jornal universitário, cafés, livros e discussões intelectuais. Naturalmente, também houve dramas suficientes para nos recordar que entrar numa universidade de sonho não resolve automaticamente a vida. Mas poucos programas conseguiram tornar uma biblioteca tão aspiracional.
8. Greek
Para quem cresceu a ver séries norte-americanas, poucas explicaram tão bem a obsessão com fraternidades e irmandades universitárias. Greek acontecia quase inteiramente dentro dessa cultura, entre festas temáticas, casas enormes, amizades, rivalidades, romances e rituais que pareciam existir apenas na televisão. Provavelmente foi responsável por muitos estudantes europeus chegarem à universidade e perguntarem: “Então… onde estão as fraternidades?”
9. Community
A versão menos glamorosa da experiência universitária. Um grupo de pessoas completamente diferentes conhece-se num community college e transforma uma simples mesa de estudo numa das amizades mais caóticas da televisão. Community lembrava-nos que a melhor parte da universidade podia não ser o campus, as festas ou o diploma. Podia simplesmente ser encontrar as nossas pessoas.
10. The Sex Lives of College Girls
Décadas depois de American Pie, a fantasia universitária ganhou uma atualização. Criada por Mindy Kaling e Justin Noble, a série acompanha quatro colegas de quarto a começar a universidade e junta sexo, amizades, identidade, ambição, dinheiro, relações e aquela combinação muito específica de liberdade absoluta com não fazer ideia do que estamos a fazer. O campus continua bonito e as festas continuam lá, mas as personagens têm problemas bastante mais reconhecíveis para uma nova geração.
Olhando para trás, é engraçado perceber como estas histórias criaram uma espécie de universidade imaginária coletiva. Esperávamos festas americanas com copos vermelhos, colegas de quarto que se tornariam melhores amigos, romances nos corredores e um campus onde estaríamos constantemente a cruzar-nos com pessoas interessantes.
Depois chegámos lá e descobrimos que uma boa parte da experiência consistia em perguntar no grupo: “Alguém sabe o que é para entregar amanhã?”
Mesmo assim, alguma coisa da promessa era verdadeira. A universidade podia ser o primeiro lugar onde escolhíamos os nossos amigos, experimentávamos versões diferentes de nós próprios e percebíamos que a vida podia ser muito maior do que aquilo que conhecíamos até então.
Hollywood exagerou bastante. Mas, admitamos, fez-nos querer ir.
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