Há quem adore cada minuto, quem conte os dias até ao parto e quem passe nove meses entre aplicações, listas, almofadas de gravidez e pesquisas no Google às três da manhã. Fizemos uma pequena sondagem na comunidade Glitter e chegámos a uma conclusão pouco científica, mas bastante previsível: não existe uma maneira certa de viver uma gravidez.
Perguntámos às nossas Glitter Moms: “Que tipo de grávida és tu?”. A sondagem foi pequena (tão pequena que não vamos fingir que descobrimos uma nova tendência sociológica), mas deu-nos matéria para conversa. Entre as respostas, a maioria respondeu “Amei estar grávida”, uma percentagem mínima disse “Não, obrigada”, outra ficou no muito pragmático “Nem amei, nem detestei, foi um meio para um fim”.
E provavelmente é aí que está a parte mais interessante. Fala-se muitas vezes da gravidez como se fosse uma experiência relativamente uniforme: nove meses de emoção, barriga acariciada, fotografias bonitas e uma mulher misteriosamente radiante. Na realidade, duas pessoas podem desejar exatamente o mesmo bebé e viver aqueles meses de maneiras completamente opostas. Gostar de estar grávida não mede o amor por um filho, tal como detestar azia, cansaço, limitações ou simplesmente não gostar de ver o próprio corpo mudar também não diz absolutamente nada sobre a mãe que alguém será.
Por isso, inspiradas pela nossa sondagem, reunimos alguns dos tipos de grávida que provavelmente todas conhecemos ou em que nos reconhecemos.
A “nasci para isto”
Adorou estar grávida. A barriga, os pontapés, as consultas, escolher roupa de bebé, fotografar a evolução semana após semana. Se lhe perguntarem como correu, há uma forte possibilidade de responder “tive saudades assim que nasceu”. É também aquela pessoa que olha para uma grávida na rua dez anos depois e sente uma nostalgia muito específica que quase a convence a repetir tudo.
A “amo o bebé, a gravidez nem por isso”
Queria muito o filho. A parte dos nove meses é que dispensava perfeitamente. Enjoos, azia, noites mal dormidas, dificuldade em encontrar uma posição confortável e pessoas a perguntarem constantemente “ainda não nasceu?”. Para esta grávida, o parto não é o fim de uma época maravilhosa. É a linha de chegada.
A pragmática
Não romantiza nem dramatiza. Esteve grávida porque, para ter aquele bebé, era necessário passar por ali. Houve dias bons, dias maus e muitos dias perfeitamente normais. Não sente saudades, também não guarda nenhum trauma especial e provavelmente resumiria tudo com um muito eficiente: “foi o que teve de ser”.
A Google
Começa com “posso comer queijo?” e, três horas depois, está a ler um fórum de 2009 sobre uma doença cuja probabilidade de ter é aproximadamente uma em vários milhões. Sabe o tamanho do bebé todas as semanas – mirtilo, limão, abacate, melão -, tem três aplicações de gravidez e consegue dizer exatamente quantos dias faltam para a data prevista do parto. A internet é simultaneamente a sua melhor amiga e a pior coisa que lhe poderia ter acontecido.
A zen, até deixar de ser
“Não vou entrar em paranoias”, anuncia no início da gravidez. Vai continuar a vida normalmente, não vai ler demasiado, não vai comprar metade da loja de puericultura e certamente não vai stressar com o quarto do bebé. Até chegar às 34 semanas e decidir, numa terça-feira às 22h30, que é absolutamente urgente lavar, dobrar e organizar roupa tamanho 0-1 mês por tonalidades.
A CEO da gravidez
Tem Excel. Tem listas. Sabe o que vai levar na mala da maternidade desde o segundo trimestre. Já pesquisou carrinhos, cadeiras auto, bombas tira-leite e intercomunicadores como se estivesse a preparar uma aquisição empresarial. Quando alguém lhe recomenda um produto, responde: “Sim, vi, mas o outro modelo tem melhores avaliações.” Nada neste bebé será comprado sem pelo menos 14 separadores abertos no browser.
A “não me reconheço em nenhuma destas”
Provavelmente a categoria mais realista de todas. Porque há mulheres que adoram o primeiro trimestre e detestam o terceiro. Outras que passam meses ansiosas e, ainda assim, sentem saudades da barriga. Há quem se sinta lindíssima e quem estranhe profundamente o próprio corpo. Quem queira falar da gravidez com toda a gente e quem continue a viver a vida sem sentir necessidade de transformar aqueles nove meses na sua personalidade inteira.
Podemos estar profundamente felizes por esperar um filho e, ao mesmo tempo, não gostar particularmente da experiência física de estar grávida. Podemos adorar a gravidez e depois achar os primeiros meses com um recém-nascido muito mais difíceis. Podemos ter uma gravidez tranquila e viver preocupadas; ou uma gravidez complicada e, ainda assim, recordar partes dela com enorme carinho. Hoje, no Dia da Grávida, também conhecido em Portugal como o Dia Nacional da Natalidade, chegamos à conclusão de que talvez só existam dois tipos verdadeiramente universais: a grávida que imaginávamos que seríamos e aquela em que acabámos por nos transformar. E essas duas nem sempre se conhecem.
#GlitterUpYourLife