Parece um daqueles eventos para os quais seria preciso marcar um voo para Londres, Nova Iorque ou São Francisco, gastar centenas de euros e garantir lugar com meses de antecedência. Desta vez, basta ir até à Alfândega do Porto. A 24 de setembro, cerca de 20 mil pessoas, mais de 80 nacionalidades e representantes de mais de mil empresas vão juntar-se para falar sobre o futuro do trabalho. E há um detalhe importante: a entrada geral é gratuita.
Se nas próximas semanas começar a ouvir falar muito do Happiness Camp, há uma razão. A nova edição daquela que é apresentada como a maior conferência da Europa dedicada ao Futuro do Trabalho acontece durante um único dia, à beira do Douro, e reúne conversas sobre carreira, Inteligência Artificial, tecnologia, liderança, comunicação, saúde mental, cultura e comportamento humano. A escala impressiona logo pelos números: cerca de 20 mil participantes, mais de 80 nacionalidades e mais de mil empresas, mas é quando começamos a olhar para quem vai estar em palco que se percebe melhor a dimensão do evento.
Pelo programa passam vice-presidentes, diretores executivos e líderes globais de organizações como Google, Disney, LEGO, TikTok, Salesforce, Deloitte, Snapchat, Canva e Headspace. Não estamos apenas a falar de pessoas que representam estas empresas, mas de profissionais que ocupam posições de decisão e que estão hoje envolvidos na forma como algumas das maiores organizações do mundo pensam o futuro do trabalho, da tecnologia e das pessoas. É um line-up que não seria difícil imaginar numa grande conferência internacional. A diferença? Desta vez acontece no Porto.
Um dos nomes confirmados é Steven Bartlett, criador de The Diary of a CEO, o segundo podcast mais ouvido do mundo e considerado pela Forbes o terceiro criador de conteúdo mais influente do planeta. Bartlett participa numa sessão virtual exclusiva e em direto para o Happiness Camp, mas a conversa não ficará apenas pelo empreendedorismo ou pelos negócios. O tema será um dos mais desconfortavelmente atuais: a economia da atenção. Num mundo construído em torno da conexão, da conveniência e da estimulação permanente, porque é que tantas pessoas estão a sentir cada vez mais dificuldade em manter o foco, encontrar sentido, construir identidade e criar verdadeiras ligações humanas? Quando uma parte tão grande da nossa vida já acontece através de um ecrã, é uma pergunta difícil de ignorar.
Depois há Mariana van Zeller. Durante mais de duas décadas, a jornalista portuguesa entrou em lugares onde poucas pessoas conseguem chegar: cartéis, redes de tráfico, mercados clandestinos e algumas das economias ilegais mais perigosas e inacessíveis do planeta. Nomeada para 91 Emmys ao longo da carreira, venceu recentemente sete numa única noite. Em setembro estará presencialmente na Alfândega do Porto, desta vez para olhar para esses mais de 20 anos de investigação através de outra perspetiva: perceber o que viver tão perto do risco, do medo, do poder e da confiança lhe ensinou sobre liderança e comportamento humano.
E estes são apenas dois dos nomes. A edição de 2026 coloca também no centro da conversa a Inteligência Artificial, a tecnologia, a biometria e o comportamento digital. Quem deve decidir os limites da IA? De que forma as redes sociais estão a moldar a atenção, os comportamentos e a identidade de uma geração? O que vai distinguir as empresas capazes de liderar esta nova era tecnológica das que vão ficar para trás? E o que muda quando Inteligência Artificial e biometria começam a permitir que a saúde passe de uma lógica essencialmente reativa para uma abordagem cada vez mais preventiva? Para discutir estas e outras questões, o Happiness Camp reúne no mesmo espaço líderes com experiência na Casa Branca, Salesforce, Deloitte AI Institute, Snapchat, Headspace e outras organizações internacionais.
É também aqui que o evento começa a fugir à ideia mais tradicional de conferência empresarial. Não é preciso ser CEO, trabalhar numa multinacional, ter determinado cargo, conhecer alguém à entrada ou fazer parte de um círculo profissional fechado. E não é preciso pagar centenas ou milhares de euros para ter acesso aos conteúdos: a entrada geral é gratuita.
“Queríamos criar uma comunidade verdadeiramente inclusiva. Um espaço que permitisse o acesso a este nível de conhecimento e a este calibre de oradores, que muitas vezes ficam fechados a círculos de liderança extremamente restritos ou associados a elevados custos de entrada. No Happiness Camp, um estudante pode sentar-se ao lado de um diretor de uma Fortune 500. Um profissional de saúde pode trocar ideias com um fundador. Um gestor em início de carreira pode estar na mesma sala que alguém responsável por decisões que afetam milhares de pessoas. É precisamente essa mistura que queríamos criar.” – Antonio Pedro Pinto, CEO & Fundador do Happiness Camp.
É precisamente essa mistura que define a visão do evento: colocar lado a lado quem está agora a começar uma carreira e quem já lidera milhares de pessoas; quem ainda está a tentar perceber o impacto da Inteligência Artificial no próprio trabalho e quem está a decidir como integrá-la; quem quer mudar de área, lançar um projeto, gerir melhor uma equipa, trabalhar de forma mais saudável ou simplesmente perceber o que vem a seguir. Porque falar sobre o futuro do trabalho em 2026 já não significa apenas discutir quantos dias vamos ao escritório ou de onde vamos trabalhar. Significa falar sobre a forma como usamos o tempo, aquilo a que damos atenção, o papel que queremos entregar à tecnologia, a proteção da saúde mental, as relações que construímos num mundo cada vez mais digital e, no limite, o tipo de vida que queremos construir.
E não serão apenas palestras. Ao longo do dia haverá masterclasses conduzidas por algumas das universidades e escolas de negócios internacionais mais prestigiadas, entre elas IE Business School Madrid, Florida International University e Purdue University Michigan. Formação internacional, no Porto, integrada num evento de acesso gratuito. A programação inclui ainda debates, sessões de networking, experiências e diferentes espaços espalhados pela Alfândega, pensados para que as conversas possam continuar depois de cada sessão.
Quando os palcos começarem a desligar-se, também não significa que o dia acabou. Ao final da tarde, o Cais da Alfândega transforma-se num sunset sobre o Douro, com música, networking e milhares de pessoas junto ao rio. Em edições anteriores, KURA já passou por este momento. Quanto ao nome escolhido para 2026, continua a ser surpresa.
E para quem estiver já a pensar em como justificar um dia inteiro fora do escritório, existe ainda um argumento bastante útil: no final, os participantes podem receber um certificado correspondente a oito horas de formação. A desculpa perfeita para levar a equipa inteira ou, pelo menos, para convencer o boss.
Portanto, façamos a recapitulação: 24 de setembro. Alfândega do Porto. Cerca de 20 mil pessoas. Mais de 80 nacionalidades. Mais de mil empresas. Vice-presidentes e diretores de algumas das maiores organizações do mundo. Steven Bartlett. Mariana van Zeller. Universidades internacionais. Formação. Tecnologia. Cultura. Um sunset sobre o Douro. Tudo concentrado num único dia e com entrada gratuita.
Se a pergunta é onde vai estar uma boa parte do Porto nesse dia, a resposta começa a parecer bastante óbvia. E, convenhamos, é melhor descobrir agora do que perceber no dia 24 através dos Stories de toda a gente.
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