Filho a estudar longe de casa? Os 8 custos que convém antecipar antes do início das aulas

A entrada no ensino superior marca uma nova etapa para os estudantes e também para as famílias. Quando a colocação obriga a sair de casa, às propinas e aos materiais académicos juntam-se despesas com alojamento, alimentação, transportes e instalação, que podem representar um peso significativo no orçamento familiar. E algumas das maiores despesas aparecem precisamente no início: caução, rendas antecipadas, mudança, compras para a nova casa ou aquisição de equipamentos informáticos. Por isso, o planeamento deve ser feito a pensar em todo o ano letivo e não apenas no primeiro mês.

A pensar nas famílias com filhos colocados longe de casa, o Doutor Finanças reuniu oito questões financeiras que vale a pena considerar antes do início das aulas.

1. Começar por perceber quanto vai realmente custar esta nova fase

Antes de definir um orçamento, o primeiro passo é identificar todas as despesas associadas à mudança e à frequência do ensino superior noutra cidade. Para tornar esta conta mais simples, os custos podem ser divididos em cinco grupos: instalação, encargos mensais, custos académicos, gastos pessoais e despesas irregulares. Assim, torna-se mais fácil perceber quanto dinheiro será necessário logo no início e qual será o esforço financeiro ao longo do ano.

2. A renda não conta a história toda

O alojamento será, provavelmente, a maior despesa mensal, mas olhar apenas para o preço anunciado pode ser enganador. Antes de escolher um quarto, uma residência ou uma casa partilhada, é importante perceber que despesas estão incluídas, se o contrato é de 10, 11 ou 12 meses, se o estudante pode permanecer no alojamento durante férias e exames e se existem custos adicionais com eletricidade, água, gás, internet ou aquecimento.

A localização também conta. Uma casa aparentemente mais barata, mas muito afastada da instituição de ensino, pode implicar mais tempo em deslocações, vários transportes e custos adicionais que acabam por reduzir a poupança inicial.

3. Preparar o orçamento para cauções e rendas antecipadas

O início de um contrato de arrendamento pode exigir um esforço financeiro considerável. Por acordo escrito, o senhorio pode pedir até duas rendas antecipadas e uma caução correspondente a duas rendas.

Antes de fazer qualquer transferência, deve confirmar-se a identidade do senhorio ou da agência, visitar o imóvel ou pedir uma videochamada em direto, exigir que as condições fiquem por escrito e recorrer a meios de pagamento rastreáveis. É também aconselhável guardar o anúncio, contrato, comprovativos e fotografias do estado do imóvel.

4. Não esquecer os custos académicos para além da propina

A propina deve entrar no orçamento anual, mesmo quando é paga em prestações. No ano letivo de 2026/2027, o valor máximo aplicável aos CTeSP, licenciaturas e mestrados integrados nas instituições de ensino superior públicas mantém-se nos 697 euros. Nos restantes ciclos de estudo e no ensino privado, o valor deve ser confirmado diretamente junto da instituição.

A matrícula, livros, software e outros materiais obrigatórios também devem ser contabilizados. Antes de comprar, o conselho é esperar pelas indicações dos docentes e verificar se existem alternativas através das bibliotecas, formatos digitais ou equipamentos disponibilizados pela própria instituição.

5. Não comprar um computador antes de saber exatamente aquilo de que vai precisar

Um computador pode ser uma das despesas mais pesadas da instalação, sobretudo nos cursos que exigem determinados programas ou características técnicas. Antes da compra, convém confirmar junto da instituição os requisitos relacionados com sistema operativo, memória, armazenamento, placa gráfica e software obrigatório.

Também é importante verificar se existem laboratórios, licenças académicas ou equipamentos para empréstimo. Esta pesquisa pode evitar tanto uma compra desnecessária como gastar dinheiro num computador que, afinal, não responde às necessidades do curso.

6. Fazer contas à alimentação e às viagens a casa

Na alimentação, o orçamento deve incluir as refeições feitas no alojamento, na cantina e fora de casa. Também vale a pena consultar previamente os preços e horários das cantinas e perceber se existem refeições disponíveis ao jantar e aos fins de semana.

Nos transportes, não entram apenas as deslocações diárias dentro da cidade universitária. É preciso contabilizar também as viagens entre a universidade e a residência da família. O Passe Gratuito para Jovens pode abranger algumas destas deslocações, mas a gratuitidade não significa necessariamente que todas as viagens a casa estejam incluídas. É, por isso, importante confirmar as ligações abrangidas e acrescentar ao orçamento eventuais bilhetes de comboio ou autocarro, bagagem e transportes noturnos.

7. Verificar bolsas, apoios e benefícios fiscais

As bolsas de estudo e os apoios ao alojamento podem ajudar a reduzir o esforço financeiro das famílias. As candidaturas e respetivos prazos devem ser confirmados junto da Direção-Geral do Ensino Superior ou dos Serviços de Ação Social da instituição.

Também podem existir benefícios fiscais relacionados com o alojamento de estudantes deslocados. Quando o estudante tem até 25 anos e estuda a mais de 50 quilómetros da residência permanente do agregado familiar, pode ser possível deduzir 30% das rendas suportadas, até ao limite anual de 400 euros. Nestes casos, o limite global das deduções de despesas de educação em IRS pode aumentar dos 800 para os 1.100 euros. Para beneficiar desta dedução, os documentos devem identificar o arrendamento como destinado a estudante deslocado e essa informação deve ser corretamente comunicada à Autoridade Tributária.

8. Deixar espaço para os imprevistos e voltar a fazer contas depois do primeiro mês

Além das despesas regulares, é importante reservar uma verba para gastos pessoais e imprevistos, como higiene, lazer, medicamentos, reparações ou viagens urgentes. Se estas despesas não forem contempladas, existe o risco de o estudante acabar por recorrer ao dinheiro destinado à renda ou à alimentação.

O orçamento também não precisa de ficar fechado para todo o ano logo em setembro. Depois do primeiro mês de aulas, deve ser revisto para perceber quanto se gastou realmente em alimentação, deslocações, lazer e restantes despesas pessoais. A partir daí, é possível ajustar os limites definidos sem comprometer o pagamento do alojamento nem a reserva destinada aos imprevistos.

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