Durante o verão, os encontros acontecem quase sozinhos. Um fim de tarde transforma-se num jantar, alguém aparece com uma garrafa, outra pessoa traz pão, ficamos até tarde porque no dia seguinte “logo se vê”. Setembro muda o ritmo, mas não tem de acabar com essa espontaneidade. Pelo contrário: pode ser a altura perfeita para recuperar uma coisa que durante algum tempo pareceu demasiado formal: receber amigos em casa.
Não é preciso fazer um jantar de seis pratos, cozinhar desde as três da tarde ou ter uma mesa digna de editorial de interiores. Aliás, talvez a nova versão de receber seja precisamente mais simples. Menos “jantar perfeito”, mais “venham cá a casa”. Uma massa bem feita, uma salada, pão bom, queijo, vinho e qualquer coisa doce conseguem resolver praticamente tudo. O importante é que ninguém sinta que o anfitrião passou o dia inteiro a trabalhar para poder sentar-se finalmente à mesa exausto.
Também ajuda pensar o jantar como uma extensão daquilo que já fazemos no dia a dia. Se há um prato que fazemos sem olhar para a receita, esse é provavelmente o prato certo. Se sabemos que uma sobremesa comprada numa pastelaria ótima vai ser melhor do que uma tentativa apressada feita em casa, compramos. Receber bem não é provar competências culinárias. É criar uma noite em que as pessoas querem ficar mais um bocadinho.
A mesa também pode fazer parte da diversão, sobretudo agora que setembro começa a pedir texturas e cores diferentes. Não é necessário um serviço completo a combinar. Misturar copos, pratos, guardanapos de tecido, velas, flores ou pequenos objetos que já temos em casa dá muito mais personalidade do que tentar reproduzir uma mesa demasiado perfeita. Um ramo apanhado no caminho, frutas numa taça bonita ou velas de alturas diferentes conseguem mudar imediatamente o ambiente.
E talvez esteja na altura de abandonar outra regra antiga: não precisamos de esperar pelo fim de semana. Um jantar de quarta-feira pode ser muito mais fácil de marcar do que tentar alinhar seis agendas num sábado. Começa-se mais cedo, come-se alguma coisa simples e, por volta das dez e meia, cada um regressa a casa. Não tem de transformar-se numa noite épica para valer a pena.
Há ainda uma vantagem curiosa nos jantares em casa: as conversas costumam durar mais. Num restaurante há reservas, ruído, mesas ao lado e aquela pergunta inevitável sobre se queremos café quando já percebemos que precisam da mesa. Em casa, ninguém está com pressa. Podemos ficar sentados depois de levantar os pratos, abrir outra garrafa, mudar para o sofá ou descobrir que alguém ainda está na cozinha a falar há vinte minutos.
Para tornar tudo mais simples, há algumas regras que vale a pena adotar. Preparar o máximo possível antes de os convidados chegarem, escolher comida que não precise de atenção constante, deixar bebidas acessíveis para que cada pessoa se sirva e aceitar ajuda quando alguém oferece. Receber amigos não significa trabalhar enquanto os outros se divertem.
Também não precisamos de esconder completamente a vida real. A casa pode não estar impecável. Pode haver brinquedos, livros, uma pilha de correspondência ou uma cadeira que serve temporariamente de roupeiro. As pessoas que entram naquela casa são, supostamente, nossas amigas. Não vieram fazer uma inspeção.
Talvez seja precisamente isso que torna os jantares em casa tão bons nesta altura do ano. Setembro traz de volta rotinas, horários e agendas, mas também nos lembra que estar em casa não precisa de significar estar fechado para o mundo.
Abrir a porta, pôr qualquer coisa no forno, acender umas velas e mandar uma mensagem ao grupo: “Jantar cá em casa quinta?”
Depois logo se decide o menu.
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