Desde 2013 que se celebra o Dia Mundial da Caridade a 5 de setembro. Assinala o aniversário da morte de Madre Teresa de Calcutá e é uma data especial, com o intuito de incentivar a solidariedade, a generosidade e o agir com compaixão sem esperar nada em troca.
E isto não tem de ser sinónimo de fazer voluntariado noutro continente, doar a tua camisola favorita ou viver em desapego material ad aeternum! Então, afinal, como podemos trazer para o nosso dia a dia atos mais caridosos e solidários, e retirar-lhe essa expectativa de “um grande gesto”?
Dar uma segunda vida ao que já temos
Este é talvez o ponto mais evidente, que une útil e agradável para todas as partes envolvidas: alguém que recebe algo de que precisa e alguém que diz adeus a algo com que já não se identifica.
Mas vamos combinar aqui uma coisa, pode ser? Doar por solidariedade perde o sentido, quando doamos bens estragados e usados que, lá no fundo, nem nós gostaríamos de receber. Se algo tem umas amolgadelas ou fios descosidos, que não fariam mal num site de roupa em segunda mão (com a categoria de “usado” identificada), então siga para bingo; mas, se está visivelmente estragado e não tem bom ar, então não é lá muito boa ideia chamar-lhe doação.
Assim sendo, vejamos algumas opções!
- Doar roupa – ténis, camisolas, casacos… you name it! Se estiverem em bom estado, é melhor que deitar fora. Podes dirigir-te ao centro comunitário da tua zona, por exemplo, e entregar lá a tua doação.
- Doar livros, brinquedos, material escolar ou pequenos eletrodomésticos que já só estão aí em casa a apanhar pó (por falar nisso, um paninho com água quente nesses ácaros antes de começares a encher o saco, que não queremos dar alergias a ninguém).
- Comprar/vender em segunda mão. Se não estás certa da utilidade do que tens em mãos, vender pode ser uma boa opção: asseguras que aquela peça é realmente desejada e vai mesmo ser usada por alguém. E sim, comprar em segunda mão também é caridoso – para com o planeta (e consequentemente, para todos nós)
- Trocar roupa e derivados com amigas – super!! “Adoro o teu vestido, posso levá-lo a uma festa?”, seguido de um “claro! Eu adoro as tuas calças, posso usá-las?”. Tchanannn! Já demos nova vida a duas peças! E a lista é infinita: malas de viagem, ferramentas, uma máquina de waffles, um corta-vento de caminhada, uma tenda… Sejam objetos que usamos mais ou de que precisamos mais pontualmente, partilhar é mesmo a chave entre amigos!
Doar algo que o nosso corpo naturalmente produz
Que bom poder doar recursos regeneráveis e renováveis do nosso corpo!
Vamos a alguns exemplos:
- Doar sangue. Há várias campanhas a decorrer e o slogan não podia ser mais verdadeiro: salva mesmo vidas
- Doar cabelo. Apenas 20 centímetros do teu cabelo podem dar uma bela peruca, para pessoas com doenças que causam queda de cabelo
- Doar leite materno. Não sendo uma possibilidade tão amplamente conhecida quanto as anteriores, é também muito encorajada (nomeadamente pelos centros hospitalares). Mães que produzam leite em excesso, gozem de boa saúde e não tomem medicação incompatível com a doação são boas candidatas.
- Doar óvulos. É uma forma incrivelmente nobre de ajudar famílias a concretizar os seus sonhos de parentalidade. É um processo médico devidamente regulamentado, com diversas etapas que asseguram a segurança e consentimento informado das dadoras. Em Portugal, é possível doar até 4 vezes e a lei prevê uma compensação monetária.
Evitar que aquilo que temos acabe no lixo
Se a caridade nasce de uma vontade de auxiliar, fazer pelo outro, ser uma gotinha de água a mais num oceano gigante, então cuidar do planeta é – sem dúvida alguma – uma forma de cuidar dos outros. Protegemos os recursos finitos, a casa que partilhamos entre todos e reconhecemos as necessidades geograficamente diferentes de cada um. Além do mais, um desperdício evitado é um recurso que continua disponível.
Como podemos fazer isso no nosso dia a dia?
- Experimentar a Too Good to Go, para aproveitar excedentes alimentares e evitar desperdício.
- Planear as compras para reduzir a comida que acaba no lixo – e, quando necessário, congelar alimentos para impedir que se estraguem.
- Apostar nas caixas “zero desperdício” que algumas superfícies comerciais vendem – recheadas de frutas e legumes menos bonitinhos, mas ainda com muito potencial!
- Aproveitar partes de alimentos que normalmente deitamos fora – bananas mais maduras para um banana bread, sementes da papaia para fazer pimenta (ótimo prebiótico!), cascas de cebola para chá, folhas de brócolos para sopas ou salteados…
- Reparar em vez de substituir: levar os sapatos ao sapateiro, a roupa à costureira, os eletrodomésticos e móveis à reparação…
- Comprar localmente – ajudar pequenos negócios e produtores
- Escolher produtos duráveis, em vez dos descartáveis.
Dar tempo, não dinheiro
A caridade também pode passar por bens materiais, mas não tem de cingir-se a eles. Podes…
- Fazer voluntariado uma vez por mês – informa-te na tua câmara municipal ou centro comunitário, por exemplo!
- Oferecer uma competência a um projeto ou associação local: fotografia, edição de vídeo, tradução, design, explicações…
- Ajudar um vizinho com uma tarefa.
- Fazer companhia a alguém que esteja isolado e não tenha tanta autonomia.
- Doar tempo a uma instituição de animais.
- Participar em campanhas de recolha de alimentos ou bens essenciais.
- Partilhar uma campanha de angariação de fundos com o teu círculo, para dar visibilidade a projetos solidários. Usar o alcance que temos para levar uma mensagem um pouquinho mais longe.
- Inscrever-te em plataformas como a WorkAway ou a WorldPackers, se quiseres sair um bocadinho da rotina. Há inúmeros projetos a precisar de ajuda: tu contribuis com 4 horas diárias de trabalho e as pessoas com quem ficares asseguram refeições e estadia. Só tens de pagar os teus voos!
No geral, porém, a caridade passa muito por olhar em redor e perguntar “precisas de ajuda?”. Eu sei – a rotina citadina não se compadece lá muito de momentos destes, mas podemos tentar trazê-los de volta!
Dizem que o segredo está nos detalhes e acredito que a caridade vive em muitas ações pequeninas que se vão somando, e não tanto numa grandiosa ação mais dificilmente repetível. O foco talvez não seja tanto “dar mais” e sim “de que precisa aquela pessoa?”.
Uma ótima maneira de pensar a caridade é: “isto ajuda alguém? É sustentável? Traz de volta aquele sentimento de comunidade e pertença?”. Se a resposta for sim, então estamos num ótimo caminho!
#GlitterUpYourLife