Durante décadas, os chamados smoking accessories fizeram parte da decoração das casas mais elegantes. Cinzeiros de Murano, peças de cristal pesado, caixas de cigarros em prata, isqueiros de mesa e caixas de fósforos eram escolhidos quase como hoje escolhemos uma vela bonita ou um tabuleiro para a mesa de centro. Depois, à medida que fumar dentro de casa deixou de fazer parte dos hábitos de muitas famílias, esses objetos foram desaparecendo. Agora alguns estão a regressar, mas por uma razão bastante diferente: são simplesmente bonitos.
Não estamos a falar de tornar o cigarro novamente glamoroso. Os riscos do tabaco para a saúde são claros e este não é, de forma alguma, um incentivo ao seu consumo. A tendência interessante está antes na recuperação estética de objetos que pertencem a outra época e que hoje podem ser usados sem qualquer relação com fumar. Um cinzeiro vintage pode transformar-se num pequeno prato para joias, chaves ou moedas; uma caixa de cigarros antiga pode guardar cartões ou pequenos objetos; um isqueiro escultórico pode permanecer numa estante simplesmente como peça de design; e uma bonita caixa de fósforos continua útil para acender velas, lareiras ou incenso.
Os cinzeiros são provavelmente os grandes protagonistas deste regresso. Em vidro colorido, cerâmica, pedra, metal ou cristal, muitos parecem pequenas esculturas e funcionam especialmente bem sobre uma mesa de centro, empilhados com coffee table books, ao lado de uma vela ou de uma taça decorativa. Os modelos vintage dos anos 60 e 70, muitas vezes grandes, pesados e em cores fortes, conseguem acrescentar imediatamente personalidade a uma divisão, mesmo que nunca vejam um cigarro na vida.
Depois estão os fósforos. As caixas grandes, com ilustrações bonitas, tipografia cuidada ou padrões gráficos tornaram-se praticamente um acessório obrigatório ao lado das velas. É um daqueles objetos muito simples que consegue fazer uma pequena composição parecer pensada. Em vez de esconder os fósforos numa gaveta, ficam à vista, ao lado de uma vela perfumada ou sobre um tabuleiro no aparador. A função continua a existir; apenas mudou aquilo que estamos a acender.
Os isqueiros de mesa também têm aquele charme inesperadamente cinematográfico. Metálicos, em pedra, com acabamentos dourados ou formas geométricas, remetem imediatamente para hotéis antigos, bares clássicos e interiores dos anos 70. Hoje podem ser usados para velas ou simplesmente tratados como objetos decorativos. O mesmo acontece com antigas cigarreiras e caixas de tabaco: quanto mais bonitas forem, menos interessa aquilo para que foram originalmente desenhadas.
Talvez esta tendência faça parte de uma vontade maior de voltar a ter em casa objetos com personalidade, em vez de peças exclusivamente funcionais. Depois de vários anos dominados por interiores muito minimalistas, há novamente espaço para pequenos elementos estranhos, vintage, herdados ou encontrados numa feira de velharias que não precisam de justificar completamente a sua existência.
E é precisamente aí que os smoking accessories se tornam interessantes para quem nem sequer fuma. Retiramos o hábito e fica o objeto. A forma, o vidro, o metal, a cor, a história e aquele pequeno toque de decadência old school que consegue fazer uma mesa de centro parecer imediatamente mais cool. Porque não precisamos de recuperar tudo do passado para recuperar algumas das coisas bonitas que ele deixou para trás.




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