Se Paris tende a ser polida, Milão sexy e Copenhaga descontraidamente cool, Tóquio continua a ocupar um lugar à parte no calendário da moda. Aqui, vestir-se não parece significar seguir uma tendência à risca, mas misturar várias ao mesmo tempo.
Uma das coisas que mais se vê é o layering levado a sério. Casacos oversized sobre blazers, saias sobre calças, hoodies combinados com peças mais formais e diferentes proporções no mesmo look criam aquela sensação muito Tokyo de que quanto menos óbvia for a combinação, melhor. A alfaiataria também aparece bastante, mas longe do fato clássico: blazers grandes, gravatas, sobretudos e peças estruturadas são usados de forma mais desconstruída e genderless.
O xadrez e o tartan voltam a aparecer em saias, casacos e coordenados, reforçando uma tendência que já começámos a ver noutras capitais para o próximo outono. Ao mesmo tempo, há uma clara influência militar e utilitária, com calças, uniformes reinterpretados e casacos de inspiração funcional a surgirem entre os looks fotografados.
Outra pista para guardar são os comprimentos curtos em pleno outono. Shorts e bermudas aparecem combinados com casacos pesados, blazers e peças oversized, numa mistura de estações que faz cada vez mais sentido, sobretudo quando o styling passa por meias, botas ou sapatilhas. E os ténis continuam firmemente instalados no street style, mesmo quando o resto do look é mais sofisticado, provando outra vez que sporty e arranjado já deixaram definitivamente de ser opostos.
A Tokyo Fashion Week prova que o regresso da diversão à moda. Menos preocupação em parecer perfeitamente coordenada, mais vontade de misturar xadrez com sportswear, alfaiataria com sapatilhas, peças militares com saias e volumes improváveis com acessórios ainda mais improváveis. E, depois de várias temporadas dominadas pelo minimalismo e pelo quiet luxury, Tóquio deixa uma mensagem particularmente tentadora para o próximo outono: talvez esteja na altura de voltar a vestir-nos para sermos vistas.












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