Setembro é um dos melhores meses para viajar: ainda há calor em muitos destinos, o mar continua convidativo e, em vários lugares, começa finalmente a desaparecer a intensidade de julho e agosto. Para quem ainda não está preparada para entrar em modo outono, escolhemos cinco destinos, três mais perto de casa e dois para quem quer transformar setembro numa verdadeira grande viagem.
1. Menorca, Espanha, para fingir que agosto ainda não acabou. Se o objetivo é prolongar o verão sem embarcar numa viagem intercontinental, Menorca continua a ser uma das opções mais irresistíveis. A ilha tem 216 quilómetros de costa, pequenas enseadas rodeadas de pinheiros, praias de areia clara e águas cristalinas que parecem ter passado por um filtro antes de existirem filtros. Cala Turqueta, Macarella, Macarelleta ou Mitjana continuam a ser alguns dos nomes incontornáveis, mas Menorca também funciona muito bem quando saímos da lógica exclusivamente praia-hotel-praia. A ilha é Reserva da Biosfera da UNESCO e pode ser explorada através do Camí de Cavalls, a pé, de bicicleta ou a cavalo. Em setembro há ainda uma vantagem simples: já saímos do pico absoluto do verão, precisamente a altura em que algumas das enseadas mais famosas podem ficar muito concorridas. A nossa versão ideal? Ficar perto de Ciutadella, alugar carro, descobrir uma praia diferente todos os dias e regressar ao final da tarde para jantar sem qualquer pressa. É férias de verão, só que com um bocadinho menos de verão à nossa volta.
2. Puglia, Itália, para comer massa depois da praia e considerar isso atividade cultural. Setembro é uma altura particularmente interessante para descobrir o sul de Itália. O turismo oficial da região aponta o início do outono, entre setembro e início de outubro, como uma das melhores épocas para visitar a Puglia: os dias continuam quentes, as noites tornam-se mais agradáveis e há menos multidões do que em pleno verão. E depois existe tudo aquilo que torna esta região tão difícil de abandonar: as casas trulli de Alberobello, as ruas brancas de Ostuni, Polignano a Mare pendurada sobre o Adriático, Monopoli, Lecce e as praias do Salento. É um destino particularmente bom para fazer de carro, alternando cidades pequenas, praias e refeições que inexplicavelmente ocupam duas horas e meia. Setembro acrescenta ainda a possibilidade de continuar a nadar sem passar os dias a disputar estacionamento e mesas de restaurante como se estivéssemos num desporto olímpico. A Puglia é para quem quer praia, mas se recusa a fazer férias só de praia.
3. Madeira, para quem quer natureza, mar e verão sem sair de Portugal. Não precisamos necessariamente de atravessar fronteiras para sentir que fomos verdadeiramente para longe. O próprio Turismo da Madeira considera o período entre setembro e novembro uma das épocas mais subestimadas do arquipélago: setembro e outubro continuam a oferecer dias agradáveis, mas com um ritmo mais tranquilo do que no pico do verão. E setembro combina particularmente bem com a ilha porque ainda podemos aproveitar piscinas naturais, mar e passeios ao ar livre, mas também entramos na época das vindimas. O clima madeirense mantém-se ameno durante todo o ano e a temperatura da água pode chegar aos 24 graus nos meses mais quentes. Entre uma manhã nas levadas, um mergulho no Porto Moniz, um passeio pelo Funchal, uma passagem por Câmara de Lobos e um pôr do sol algures acima das nuvens, dá para fazer umas férias muito ativas ou absolutamente preguiçosas. Idealmente, um pouco das duas.
4. Maurícia, para quem quer finalmente aquela viagem de postal. Se setembro é a oportunidade para fazer uma viagem maior, Maurícia entra diretamente na lista. O destino está nesta altura na estação mais fresca e seca: de maio a outubro é considerado inverno na ilha, embora “inverno” signifique temperaturas diurnas a rondar os 23 graus. Mais interessante ainda, setembro a novembro estão entre os meses mais secos, e o próprio turismo oficial refere que muitos habitantes recomendam precisamente este período para visitar. E Maurícia é muito mais do que passar sete dias numa espreguiçadeira. Há praias tropicais, montanhas, parques naturais, mercados, gastronomia marcada pelas várias comunidades da ilha, mergulho, caminhadas, golfe e experiências de wellness.
5. Budapeste, para uma escapadinha que mistura cultura, cocktails e águas termais. Budapeste é uma ótima ideia em setembro porque apanha aquele equilíbrio difícil de encontrar: ainda há dias agradáveis para passear junto ao Danúbio, atravessar a Ponte das Correntes, subir até Buda ou ficar numa esplanada ao fim da tarde, mas sem o calor mais intenso do verão. A cidade começa também a ganhar uma atmosfera mais outonal, o que combina especialmente bem com os cafés históricos, os banhos termais, os mercados e os jantares demorados. É um mês perfeito para andar muito a pé, fazer um cruzeiro ao pôr do sol, reservar umas horas nas termas de Széchenyi ou Gellért e descobrir bairros com mais calma, já com menos pressão da época alta. E há ainda aquele bónus muito Budapeste: continua a parecer uma grande viagem europeia, mas é suficientemente compacta para funcionar lindamente numa escapadinha de três ou quatro dias.
A grande questão de setembro talvez seja apenas escolher que tipo de verão ainda nos apetece ter. Menorca para uns dias de águas turquesa sem grandes complicações. Puglia para praia acompanhada por orecchiette e vinho italiano. Madeira para natureza sem sair do país. Maurícia para entrar oficialmente em modo paraíso. Budapeste para receber o outono.
Janeiro fica com as resoluções. Setembro, se pudermos escolher, fica com a próxima viagem.
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