O mês que ainda sabe a verão, mas já cheira a cadernos novos. Setembro chega sempre com uma espécie de energia de segunda-feira, só que das boas. Não começa oficialmente o ano, mas, para muitos de nós, é aqui que tudo recomeça.
Chegas com areia ainda perdida no fundo das malas, fotografias de agosto por organizar e uma quantidade pouco razoável de promessas sobre aquilo que vamos fazer “quando as férias acabarem”.
Vamos voltar ao ginásio. Vamos cozinhar mais. Vamos dormir melhor. Vamos organizar aquela gaveta. Vamos finalmente responder ao email que está marcado como não lido há tempo suficiente para já fazer parte da decoração da caixa de entrada.
Janeiro pode ter as passas e o fogo-de-artifício, mas setembro tem qualquer coisa que se parece muito mais com um verdadeiro começo. Passámos grande parte da infância a aprender que era assim. Setembro significava mochila nova, lápis acabados de afiar, livros ainda sem orelhas e a sensação maravilhosa de que aquele podia ser o ano em que íamos ter os cadernos organizados até junho. Nunca era. Mas a esperança regressava religiosamente no setembro seguinte.
O último mês com um pé na praia
A beleza de setembro está precisamente em não conseguir decidir a que estação pertence. Ainda há dias de praia. Ainda jantamos na rua. Ainda procuramos mesas nas esplanadas e resistimos aos casacos ao final da tarde. Mas o sol começa a desaparecer um pouco mais cedo. De manhã já sentimos qualquer coisa diferente no ar. As montras começam a encher-se de botas e malhas enquanto continuamos de sandálias.
É um mês de transição. Não exige que abandonemos imediatamente o verão. Apenas começa, discretamente, a preparar-nos para outra coisa.
Back to school. Mesmo para quem já não vai à escola
Em Portugal continental, o regresso às aulas do ensino básico acontece entre 11 e 15 de setembro. Este ano há uma particularidade: devido à época extraordinária dos exames nacionais, o arranque dos cursos científico-humanísticos do ensino secundário foi adiado para 21 de setembro.
Mas o back to school mood não pertence apenas às crianças. Setembro devolve-nos agendas, reuniões, horários, inscrições, projetos e aquela vontade coletiva de reorganizar a vida. Compramos cadernos mesmo não precisando de cadernos. Voltamos a olhar para cursos que guardámos nos favoritos. Inscrevemo-nos no ginásio. Fazemos listas. É como se todos concordássemos silenciosamente que agosto não era o momento para decisões sérias e que agora, sim, podemos conversar.
21 de setembro: talvez um bom dia para baixar um bocadinho o volume
O dia 21 de setembro assinala o Dia Internacional da Paz, instituído pelas Nações Unidas como um dia dedicado aos ideais de paz e não violência. Num mundo onde as notificações parecem trazer uma nova razão para preocupação a cada hora, talvez seja uma data que mereça mais atenção do que uma publicação bonita nas redes.
Paz também pode começar em escalas muito pequenas. Não responder imediatamente. Ouvir antes de discutir. Telefonar a alguém. Parar uma discussão que já ninguém sabe como começou. Não resolve o mundo, mas talvez torne o nosso pequeno pedaço dele ligeiramente melhor.
23 de setembro: finalmente podemos dizer que é outono
Até lá podemos continuar a insistir que ainda é verão. Mas no dia 23 de setembro acontece o equinócio de outono e o calendário astronómico ganha oficialmente a discussão. Entram as primeiras malhas. As botas regressam ao armário. O café gelado começa lentamente a perder terreno. Começa também aquela época estranha em que saímos de casa de manhã com frio, temos calor ao almoço, voltamos a ter frio às seis e acabamos o dia a transportar três camadas de roupa no braço.
27 de setembro: uma desculpa para pensar na próxima viagem
O Dia Mundial do Turismo celebra-se a 27 de setembro, data reconhecida anualmente pelas Nações Unidas. Convenientemente, chega poucas semanas depois de regressarmos de férias. Ou seja: exatamente quando já começamos a pensar que talvez precisemos de outras. Setembro é também um ótimo mês para viajar. As multidões de agosto diminuem, muitos destinos continuam com temperaturas agradáveis e existe aquele prazer particular de viajar quando temos a sensação de que toda a gente já regressou ao trabalho.
Também não precisamos de abandonar agosto à força
Setembro não obriga a tornar a vida imediatamente produtiva. Podemos continuar a ir à praia, a jantar tarde. Podemos guardar o bronze, os vestidos leves e a sensação de férias durante mais algum tempo. Aliás, uma das melhores coisas sobre viver em Portugal é precisamente esta pequena extensão informal do verão que setembro tantas vezes nos oferece.
Ainda há fins de tarde que parecem agosto. Só que agora apreciamo-los mais porque sabemos que começam a ser contados.
Setembro provoca uma nostalgia estranha. É um começo que traz consigo uma pequena despedida. Voltamos enquanto alguma coisa termina. Guardamos as malas enquanto abrimos agendas. Compramos botas enquanto ainda temos areia nos pés. E começamos novamente a fazer planos.
Não sabemos se vamos cumprir todos. Provavelmente não. A gaveta pode continuar desarrumada, o ginásio talvez não nos veja quatro vezes por semana e existe uma forte possibilidade de o caderno novo perder a organização ainda antes de outubro.
Não faz mal. Setembro nunca pediu perfeição. Pediu apenas que voltássemos.
Olá, setembro. Estávamos prontos para ti.




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