Hot Takes: Pára de arranjar desculpas, ele simplesmente não está interessado.

Há uma coisa que precisamos, coletivamente, de parar de fazer: inventar sentimentos onde só existe conveniência. Não sou a maior fã da famosa expressão “if he wanted to he would”, porque ninguém tem uma bola de cristal para saber do que o outro gosta, ou precisa, mas existem mínimos que não deviam entrar na equação.

Porque no dating moderno, é comum passarmos mais tempo a tentar perceber o que a outra pessoa pode estar a sentir do que a olhar para aquilo que ela está, efetivamente, a fazer. “Ele gosta de mim, mas nunca combina nada”, “Não me diz nada há dez horas”, “Talvez tenha medo de se envolver”, não, ele só não está interessado em ti. E esta é provavelmente uma das verdades que mais tentamos evitar porque admitir que alguém não nos quer tanto quanto nós a queremos é uma ferida no ego e por isso, instintivamente, é muito mais confortável inventar uma explicação.

Às vezes o que custa é aceitar que não há trauma nenhum, não há medo de compromisso, não há jogo psicológico. Há alguém que não está suficientemente interessado em ti e talvez seja precisamente por isso que preferimos complicar, porque é muito mais fácil acreditar que aquela pessoa está secretamente apaixonada mas emocionalmente indisponível do que aceitar que simplesmente não quer aquilo que nós queremos.

A verdade é esta: quem quer, arranja maneira. E não, isto não significa que uma pessoa interessada tenha de estar constantemente a mandar mensagens, ou ter tempo infinito e demonstrações grandiosas, mas tem iniciativa. O interesse pode nem sempre ser perfeito, mas é visível. Porque quem quer estar contigo arranja uma maneira de aparecer.


O problema é que estamos tão habituados a interpretar comportamentos que já não sabemos simplesmente observá-los. A confusão que sentes, as perguntas constantes que fazes (a ti mesma e às coitadas das tuas amigas) são a tua maior resposta. Porque deixa-me dizer-te, quando alguém está realmente interessado, não precisas de montar um caso jurídico para provar que existe interesse.
E é aqui que muita gente se engana: confundem o facto de alguém responder com o facto de terem interesse. Mas claro que responde, porque é agradável ter atenção. É agradável saber que alguém está disponível. Mas gostar de atenção não é o mesmo que gostar de ti, todos gostamos de atenção, a dificuldade é aceitar que há pessoas que não querem estar contigo, querem só ter a certeza de que ainda o podem fazer e estão confortáveis com o acesso que tem a ti sem precisarem de fazer esforço nenhum. E nós pegamos nesse bocadinho de atenção súbita, construímos uma relação inteira na nossa cabeça e chamamos-lhe potencial. Mas potencial é uma palavra muito bonita para aquilo que ainda não aconteceu.


Porque chega uma altura em que deixar de mandar mensagem não é fazer joguinhos e não precisas de postar uma story misteriosa para provocar uma reação, só precisas de parar. E talvez essa seja a parte mais difícil: abdicar do controlo e deixar que o comportamento de alguém te dê a resposta que a tua esperança estava a tentar esconder (e que no fundo já sabias qual era).
Precisamos de ser mais honestas com nós mesmas porque não é atraente ter que convencer alguém de que valemos a pena. E se és amante de romances podes tirar a ideia de que a vossa relação é um slow burn da cabeça, porque só tu é que estás a acender o fogo.


A pergunta que tens que fazer a ti mesma é simples: “Porque é que estou tão empenhada em gostar de alguém que não está empenhado em gostar de mim?”, e lembra-te que a falta de iniciativa também é uma resposta.

Artigo por Rita Pinto Da Silva 
#TheGlitterDream