As revistas adolescentes que eram obrigatórias e transformavam o quarto numa galeria de posters

Preparados para uma dose extra de nostalgia?

Antes do TikTok, do Instagram e das atualizações em tempo real sobre qualquer celebridade, era preciso esperar pela próxima edição da Bravo. Entre testes amorosos, conselhos, letras de músicas e posters gigantes, estas revistas foram o verdadeiro algoritmo de uma geração.

Ir ao quiosque fazia parte do ritual. Primeiro, analisava-se a capa para perceber qual trazia a entrevista mais interessante, o melhor brinde ou o poster do artista que naquele momento ocupava todos os pensamentos. Depois, a revista circulava pela escola, os testes eram respondidos em grupo e as páginas mais importantes acabavam cuidadosamente arrancadas.

Durante os anos 90 e 2000, títulos como Bravo, Super Pop, 100% Jovem, Ragazza e Super Jovem ocuparam um lugar importante no quotidiano dos adolescentes portugueses, reunindo música, moda, televisão, relações, sexualidade e cultura pop numa altura em que a informação não estava permanentemente disponível no telemóvel.

Bravo: a revista que se comprava pelos posters

A Bravo era uma publicação alemã importada, o que significava que, durante algum tempo, muitos leitores portugueses compreendiam pouco do texto. Isso não impedia o sucesso: as imagens, as capas repletas de estrelas e, sobretudo, os posters eram motivo suficiente para a comprar.

Mais tarde, a revista ganhou uma publicação nacional e tornou-se uma presença familiar nos quiosques portugueses, com testes, curiosidades sobre famosos, conselhos, moda e páginas dedicadas aos artistas do momento. O poster central era aberto com uma cerimónia quase religiosa e colocado na parede com a esperança de que a fita-cola não destruísse a cara do nosso ídolo.

Super Pop: a enciclopédia sentimental da cultura pop

A Super Pop cumpria uma missão semelhante. A fórmula misturava fotografias, rumores, entrevistas, horóscopos e conselhos sobre o rapaz de quem gostávamos, mesmo quando esse rapaz ainda não sabia da nossa existência.

Era também uma espécie de guia informal para acompanhar os fenómenos musicais e televisivos da época. Num mundo sem notificações, descobrir um novo namoro, uma separação ou o próximo álbum de uma estrela pop podia depender daquela ida semanal ao quiosque.

100% Jovem: tudo o que interessava numa só revista

A 100% Jovem, publicada pela Impala, tornou-se uma das revistas juvenis mais reconhecidas em Portugal, sobretudo entre o final dos anos 90 e os anos 2000.

Música, televisão, celebridades, beleza, testes, histórias de leitores e posters conviviam numa publicação que parecia conhecer todas as preocupações da adolescência. As páginas eram dobradas, recortadas e partilhadas, e os brindes podiam ser decisivos na escolha entre duas revistas.

Ragazza: conselhos para assuntos que não se discutiam em casa

Lançada em Portugal em 1993, a Ragazza combinava conteúdos leves sobre moda, beleza e famosos com temas mais sérios relacionados com saúde, relações e sexualidade. Numa época em que muitas adolescentes não se sentiam confortáveis para conversar com adultos sobre determinadas dúvidas, a revista funcionava como uma espécie de amiga mais velha.

Nem todos os conselhos envelheceram bem, naturalmente. Mas a possibilidade de ler cartas de outras jovens e perceber que certas inseguranças eram partilhadas tinha um valor difícil de medir.

Super Jovem: mais do que famosos e romances

A Super Jovem estreou-se em 1993 e permaneceu nas bancas durante mais de seis anos. Diferenciava-se por apresentar uma oferta mais variada, que incluía não só ídolos e entretenimento, mas também críticas de filmes, livros e videojogos, além de banda desenhada.

Era uma revista pensada para um público juvenil mais abrangente e provava que a adolescência não se resumia a paixões impossíveis e estrelas da música, embora essas continuassem, evidentemente, a ocupar bastante espaço.

O nosso feed cabia numa mochila

As revistas adolescentes desempenhavam muitas das funções que hoje pertencem às redes sociais. Davam-nos tendências, notícias sobre famosos, recomendações, conselhos e uma sensação de pertença. A diferença é que o conteúdo tinha princípio e fim: comprávamos uma edição, líamos tudo e esperávamos pela seguinte.

Os posters decoravam quartos inteiros, as letras das músicas eram copiadas para os cadernos e os testes revelavam, com uma precisão científica bastante duvidosa, se éramos românticas, aventureiras ou destinadas a conquistar o nosso crush.

Hoje, qualquer novidade chega em segundos e desaparece com o movimento de um dedo. Mas nenhuma publicação digital conseguiu ainda reproduzir completamente a emoção de abrir uma revista ao meio e descobrir que, finalmente, aquele poster enorme que queríamos vinha naquela edição.

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