Pokémon faz 30 anos: as febres, as campanhas e os momentos que marcaram três gerações

A 27 de fevereiro de 1996, no Japão, chegaram às lojas dois jogos de Game Boy chamados Pocket Monsters: Red e Pocket Monsters: Green. Ninguém, nem sequer o seu criador, o designer Satoshi Tajiri, que em criança adorava colecionar insetos, podia imaginar que aquelas 151 criaturas desenhadas pelo ilustrador Ken Sugimori se tornariam, três décadas depois, uma das maiores franquias de entretenimento do planeta. Em 2026, Pokémon celebra 30 anos, e a ocasião pede uma viagem pelas febres, campanhas e momentos que fizeram desta marca muito mais do que um jogo de infância.

Do recreio ao fenómeno global

Em poucos anos, a “Pokémania” espalhou-se pelos recreios do mundo inteiro, impulsionada por uma série de anime extremamente popular e pelo lançamento do jogo de cartas colecionáveis, ainda em 1996 no Japão e a partir de janeiro de 1999 nos Estados Unidos. O slogan gotta catch ‘em all tornou-se praticamente um grito de guerra para uma geração inteira, e trocar cartas no intervalo das aulas passou a ser, para muitos miúdos dos anos 90, tão importante como qualquer outra amizade da escola.

As cartas que hoje valem uma fortuna

O que começou como um jogo de recreio transformou-se, décadas depois, num mercado paralelo multimilionário. A carta de Charizard da primeira edição do Base Set, lançada em 1999, já foi vendida por valores que ultrapassam os dois milhões de dólares em leilões internacionais, e está longe de ser caso único. Desde a pandemia, o hobby ganhou ainda um novo fôlego graças ao TikTok, onde criadores de conteúdo abrem pacotes de cartas em direto para milhões de seguidores, com mais de meio bilhão de publicações dedicadas ao tema. É um dos exemplos mais claros de como a nostalgia de uma geração se transformou em conteúdo viral para a seguinte.

@erikas_invitationn

WAR IS FINALLY OVER AFTER MONTHS AND MONTHS OF TRYING TO PULL THIS CARD #duckarmy #psyduck #pokemon #pikachu #pokemoncards

♬ original sound – erika’s invitation

As campanhas que saíram do controlo

Nem todas as ativações à volta de Pokémon correram como planeado, e é aí que a história fica ainda mais interessante. Em 2023, o Museu Van Gogh, em Amesterdão, teve de cancelar de forma abrupta a oferta de uma carta promocional de Pikachu, depois de multidões terem invadido o espaço em busca do item, que rapidamente apareceu à venda por valores elevados em sites de revenda. No ano seguinte, foi a vez do McDonald’s no Japão travar uma campanha de Happy Meal poucas horas após o lançamento, depois de revendedores comprarem grandes quantidades apenas para ficar com as cartas exclusivas, chegando a deitar fora a comida ainda embalada.

Pokémon GO: a febre que tirou o mundo de casa

Se há um momento que resume o poder cultural desta marca, é o verão de 2016, quando o jogo de realidade aumentada Pokémon GO transformou parques, ruas e cidades inteiras em autênticos campos de caça a Pokémon. Milhões de pessoas, muitas delas já adultas e sem qualquer ligação recente à franquia, saíram à rua de telemóvel em punho à procura de criaturas virtuais, num fenómeno social que ainda hoje é estudado como um dos maiores casos de sucesso do mobile gaming. Em 2026, o jogo celebra também os seus primeiros dez anos, e continua a fazer parte central das celebrações do 30º aniversário da marca.

2026: o ano da grande festa

Este ano, a The Pokémon Company decidiu não fazer as coisas pela metade. As celebrações arrancaram com um anúncio publicitário no Super Bowl LX, transmitido a 8 de fevereiro, pensado para homenagear décadas de fãs de gerações e geografias diferentes. Seguiu-se o Pokémon Presents de 27 de fevereiro, dia em que a marca comemora também o seu aniversário, com anúncios de jogos, produtos e da campanha anual “What’s Your Favorite?”, desenhada para juntar comunidades de Pokémon GO e do jogo de cartas num só grande momento de celebração. O ponto alto chega a 16 de setembro, com o lançamento simultâneo em todo o mundo da expansão especial de cartas “Celebração de 30 Anos”, que promete reunir ilustrações raras, cartas clássicas e nada menos do que 30 versões diferentes de Pikachu.

Trinta anos depois, e apesar de todas as polémicas, leilões e madrugadas em fila à espera de um pacote de cartas, uma coisa não mudou: continuamos todos, de alguma forma, a tentar apanhá-los a todos.

#GlitterUpYourLife