Durante a gravidez, uma das maiores preocupações das futuras mães é a forma como o bebé irá nascer. Embora a cesariana seja hoje uma cirurgia segura e essencial em muitas situações, quando a gravidez é saudável, o bebé está bem posicionado e não existem complicações, o parto vaginal é, na maioria dos casos, a opção mais segura e saudável para a mãe e para o bebé.
A própria Organização Mundial da Saúde alerta que as cesarianas devem ser realizadas quando existe necessidade médica. Quando necessárias, podem salvar vidas. Porém, quando são feitas sem indicação clínica, expõem a mãe e o bebé a riscos desnecessários, tanto no momento do nascimento como a longo prazo.
Uma recuperação geralmente mais rápida
Num parto vaginal sem complicações, a recuperação tende a ser mais simples. A mulher consegue, habitualmente, levantar-se, caminhar e cuidar do bebé mais cedo, permanece menos tempo no hospital e não tem de recuperar de uma cirurgia abdominal.
A cesariana implica cortes no abdómen e no útero. Apesar de ser um procedimento frequente, continua a ser uma cirurgia de grande porte, com risco de infeção, hemorragia, formação de coágulos, complicações da anestesia e uma recuperação geralmente mais lenta e dolorosa.
Também nas gravidezes futuras, as cesarianas sucessivas podem aumentar o risco de problemas relacionados com a placenta e de outras complicações cirúrgicas.
Benefícios também para o bebé
Durante o parto vaginal, a passagem pelo canal de parto ajuda a expulsar o líquido existente nos pulmões do bebé e facilita a sua adaptação à respiração fora do útero.
O contacto pele com pele, o início da amamentação e a mobilidade da mãe também tendem a acontecer mais facilmente após um parto vaginal, embora possam e devam ser promovidos depois de uma cesariana sempre que o estado clínico de ambos o permita.
Parto vaginal não significa parto sem apoio
Defender o parto vaginal não significa defender que a mulher deve suportar a dor sem ajuda. A epidural e outras formas de alívio da dor podem fazer parte de um parto vaginal seguro e respeitado. O pedido da mulher para receber analgesia durante o trabalho de parto deve ser valorizado sempre que não exista uma contraindicação médica.
Também não significa que todos os partos vaginais sejam simples ou isentos de riscos. Podem ocorrer lacerações, necessidade de ventosa ou fórceps, dificuldades na progressão do trabalho de parto ou situações que obriguem a realizar uma cesariana.
Quando a cesariana é a escolha certa
Existem circunstâncias em que a cesariana é a forma mais segura de proteger a mãe e o bebé, nomeadamente em determinados casos de placenta prévia, sofrimento fetal, apresentação anómala do bebé, ausência de progressão do trabalho de parto ou outras complicações maternas e fetais.
Nessas situações, a cesariana não é um fracasso nem uma escolha inferior. É uma intervenção médica necessária e, muitas vezes, vital.
A informação deve vencer o medo
Muitas mulheres escolhem ou desejam uma cesariana por receio da dor, das horas de trabalho de parto ou de possíveis complicações. Esses medos são legítimos e devem ser ouvidos. Mas a decisão deve basear-se em informação clara e não na ideia errada de que uma cesariana é sempre mais fácil, previsível ou segura.
Quando a gravidez decorre normalmente e estão reunidas todas as condições clínicas, o corpo da mulher está preparado para o parto vaginal. Na maioria desses casos, evitar uma cirurgia significa menos riscos, uma recuperação mais rápida e um início de pós-parto fisicamente mais favorável.
A cesariana deve estar disponível sempre que for necessária. Mas, quando tudo está bem, permitir que o nascimento aconteça por via vaginal continua a ser, geralmente, a escolha mais saudável e segura.
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