Todos os verões acontece o mesmo. As notícias sobre política e economia dão lugar a histórias insólitas, animais perdidos, fenómenos estranhos, recordes improváveis e curiosidades que rapidamente se tornam virais. É nesta altura que ouvimos a expressão “silly season”. Mas afinal, de onde vem este nome?
A resposta leva-nos até à Inglaterra do século XIX.
Uma expressão com mais de 150 anos
A expressão “silly season” surgiu na imprensa britânica por volta da década de 1860. Na altura, os jornais enfrentavam um problema muito semelhante ao de hoje: durante os meses de verão, a atividade política diminuía, os tribunais encerravam para férias e havia menos acontecimentos importantes para noticiar.
Sem grandes temas da atualidade, as redações enchiam as páginas com histórias leves, curiosas ou simplesmente extravagantes. Foi precisamente por isso que este período começou a ser apelidado de “silly season”, ou seja, a “época das notícias disparatadas”.
A expressão ficou oficialmente registada em 1861, quando foi utilizada na revista satírica britânica Saturday Review, e rapidamente passou a fazer parte do vocabulário jornalístico.
Porque acontece sempre no verão?
A explicação é simples. Durante julho e agosto, grande parte da atividade abranda. Os parlamentos entram em pausa, muitas empresas reduzem o ritmo e até as celebridades tendem a estar de férias.
Com menos acontecimentos relevantes para preencher jornais, revistas e noticiários, os meios de comunicação procuram histórias mais leves e curiosas para manter o interesse do público.
É por isso que nesta altura do ano surgem frequentemente notícias sobre animais invulgares, fenómenos meteorológicos, descobertas insólitas, desafios virais ou acontecimentos caricatos que dificilmente seriam manchete noutra altura.
Ainda faz sentido falar em “silly season”?
Com as redes sociais, os sites de notícias atualizados ao minuto e um fluxo constante de informação, seria de esperar que a silly season tivesse desaparecido. Mas a verdade é precisamente o contrário.
Hoje continua a existir, embora tenha mudado de forma. Em vez de faltar informação, há uma enorme procura por conteúdos rápidos, curiosos e fáceis de consumir. As notícias leves, os vídeos virais e as histórias surpreendentes continuam a dominar o verão e, muitas vezes, tornam-se alguns dos temas mais comentados da internet.
Ao mesmo tempo, esta época é também marcada por conteúdos ligados às férias, viagens, praia, gastronomia, celebridades e lifestyle, áreas que despertam naturalmente mais interesse durante os meses quentes.
Muito mais do que “notícias parvas”
Apesar do nome, a expressão não significa que todas as notícias publicadas nesta altura sejam irrelevantes. Muitas vezes, a silly season é simplesmente um reflexo da mudança de interesses do público. Quando chega o verão, as pessoas procuram conteúdos mais descontraídos, inspiradores e divertidos.
Por isso, da próxima vez que ouvires alguém dizer que “já estamos na silly season”, já sabes que a expressão nasceu há mais de século e meio nas redações britânicas e continua, ainda hoje, a descrever uma das épocas mais características do calendário mediático.
#GlitterUpYourLife