Como o teu outfit do dia muda o teu cérebro (e a tua sorte)

Todos nós já estivemos lá: um dia cinzento em que a energia está a zeros, a cama parece ter um íman e a tentação de vestir a primeira camisola que cruzar o nosso campo de visão e o fato de treino mais confortável do armário é quase insuperável. Afinal, para quê fazer um esforço se o mood não está para aí virado? A resposta curta: exatamente por isso.

Existe uma ideia ultrapassada de que nos devemos arranjar apenas quando estamos felizes, motivados ou quando temos um evento especial. Mas a verdade é que o nosso armário não é apenas um depósito de tecidos. É uma caixa de ferramentas psicológica. Escolher uma roupa bonita, cuidar da tua imagem e colocar aquele detalhe que te faz sentir incrível não é, de todo, uma futilidade: é um ato de self-care e um atalho mental para mudar o teu dia.

E a ciência tem dados para provar:

Existem dois conceitos fascinantes na psicologia moderna que explicam exatamente o que acontece ao teu cérebro quando te vestes bem, quando te apresentas bem.

O primeiro é o Dopamine Dressing. A premissa é simples: a roupa que vestimos tem a capacidade de ativar os circuitos de recompensa do nosso cérebro, estimulando a libertação de dopamina (o neurotransmissor responsável pelas sensações de prazer, motivação e bem-estar). E desengana-te se pensas que isto significa apenas usar cores vivas ou néon. O Dopamine Dressing é sobre usar peças com as quais tens uma conexão emocional positiva. Pode ser aquele casaco statement que te faz sentir invencível ou uma textura suave que traz aconchego imediato.

O segundo conceito, e talvez o mais impressionante, é a Enclothed Cognition (Cognição Enclausurada ou, por outras palavras, a psicologia do vestuário). Termo cunhado por investigadores da Kellogg School of Management, este estudo provou que as roupas que vestimos exercem uma influência real sobre os nossos processos psicológicos. No fundo, a tua mente absorve o significado simbólico da peça que estás a usar e adota esse comportamento.

Se vestires algo que associas a desleixo ou preguiça, a tua mente tende a ficar mais lentificada e insegura. Se vestires algo que associas a confiança, sofisticação e profissionalismo, o teu cérebro liga o chip da eficiência e do foco. Em suma: não te vestes para o humor que tens, vestes-te para o humor que queres ter.

Se pararmos para pensar, faz todo o sentido. Já reparaste na tua postura quando adoraste o look que escolheste? Os ombros vão para trás, a cabeça ergue-se, o olhar fica mais seguro e até a forma como caminhas muda. Quando olhas para o espelho e gostas do que vês, a tua autoimagem melhora instantaneamente e o teu diálogo interno altera-se. Cuidar da tua imagem, mesmo em atos simples como pentear o cabelo, colocar um perfume de que gostas e vestir um look que assenta na perfeição, envia uma mensagem subconsciente e poderosa a ti mesma: “Eu valho o tempo e o esforço de me cuidar hoje.”

Há outra razão prática (e mágica) para não facilitares no visual que foi, inclusivc, a ideia principal que me motivou a escrever este artigo: nunca sabes como vai ser o teu dia.

Quando estamos desajeitados, a nossa tendência natural é a de nos escondermos. Evitamos o contacto visual, encolhemo-nos e queremos passar despercebidos, o que nos fecha portas. Pode ser um encontro inesperado com um cliente na fila do café, cruzares-te no metro com alguém que não vias há anos, ou uma reunião de última hora que pode mudar o rumo do teu projeto. Por outro lado, quando estás confiante com a tua imagem, estás presente, aberto e recetivo ao mundo. A autoconfiança funciona como um íman de oportunidades. Coisas boas atraem coisas boas.

Da próxima vez que acordares sem grande motivação, lembra-te: o teu armário não serve apenas para te cobrir, serve para te elevar. Não te vistas para impressionar os outros ou para cumprir expectativas alheias. Veste-te para a versão de ti que queres ser hoje. 

#glitterupyourlife