Livros para devorar no areal

Quando o tópico é ir à praia, há variadíssimos tipos de pessoas: as que torram ao sol e as que não saem da água; as que levam geleira e as que levam um saco com uma singela toalha e a carta de condução; as que levam raquetes e cartas e as que deixam os óculos de sol a repousar sobre o nariz para evitar ao máximo interações sociais… e temos as que gostam sempre de levar um livrinho. 

Não vou confirmar ou desmentir qual sou, mas deixo-te aqui 5 sugestões, caso estejas prestes a acabar a tua leitura atual e queiras encontrar um substituto com tempo!

Apartamento Partilha-se, de Beth O’leary

Esta é daquelas leituras leves, em que as páginas são como as cerejas: fica impossível parar. Tiffy precisa de um novo apartamento, agora que sabe que a relação com o ex-namorado acabou definitivamente, pelo que continuarem a viver juntos não é opção. Conta com as amigas para encontrar um novo cantinho e, com o seu orçamento reduzido e pouca oferta, há uma opção que chama a sua atenção: arrendar metade de uma cama. Ora, o Leon é um enfermeiro com turnos pela noite dentro e a Tiffy trabalha durante o dia; portanto, quando ela usa o apartamento, ele está no trabalho e, quando ele precisa de descansar, já o sol está no céu e a Tiffy à secretária. Para estabelecer regras de convivência, deixam post-its pela casa, mas há aqui uma série de fatores que podem perturbar esta dinâmica excêntrica… e talvez eles tenham mesmo de conhecer-se de uma vez por todas.

Conversas Sobre o Amor, de Natasha Lunn

São incontáveis as vezes que sublinhei frases, passei ideias a marcador, anotei ao lado pensamentos meus e dobrei cantos das páginas deste livro (sim, para mim, os livros são tão mais especiais quanto mais evidente for que alguém os leu com olhos de ler). Neste livro, a autora e jornalista Natasha é movida por uma curiosidade que a impele a entender o amor e os relacionamentos com tudo o que os atravessa – o sexo, a paixão, a fase de lua de mel, a dor, o luto… Para tal, senta-se com psicanalistas, autores, terapeutas, jornalistas e sexólogas, com o objetivo de encontrar – tanto na sua experiência de vida, como nos seus conhecimentos técnicos – as respostas que procura. E calma: garanto que não é um livro técnico, em que alguém desenha um Diagrama de Venn ou coisa parecida. Estas conversas sobre o amor são humanas, vulneráveis e, despidas de pretensões bacocas, também assumem o que não temos modo de saber até o vivermos. Se ajudar a convencer, li este livro quando estava por um fio com o meu ex-namorado… bem, digamos que há um motivo para ser “ex”. 

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Este não é um livro propriamente recente, mas é um livro tremendamente atual. Não é tão conhecido como “1984” ou “Admirável Mundo Novo”, mas, para quem já leu e gostou dessas distopias, esta não fica nada atrás. Guy Montag é um bombeiro: trabalha num quartel, sabe o que tem a fazer, mal soa o alarme, mas… em vez de apagar fogos, o seu trabalho é ateá-los. Mais concretamente, a sua função é queimar livros proibidos (e muitos deles o são). A nossa personagem principal sente um poder prazeroso ao lançar chamas e vê-las consumir páginas sem fim e, no geral, leva no peito uma sensação de dever cumprido para com o regime. Porém, certa noite, há algo ali que deixa de bater certo e, a par das chamas que consomem inúmeros manuscritos, vemos um homem consumido pela incerteza e a angústia de quem sente que foi longe demais. Não compreendemos o que não conhecemos e, quando Guy tem a possibilidade (ou devo dizer o privilégio?) de se aperceber do que está em causa, tudo muda de figura.

A Criada, de Freida McFadden

Se ainda não foste arrastada pela onda de pessoas que já leu o livro ou viu o filme, então este é um bom momento para ceder a uma boa peer pressure. Eu cá não gosto de ler à refeição; sinto-me um polvo a tentar coordenar garfo, virar a página, pegar na faca, “bolas, o livro vai se fech–  fechou…”. Mas, com este livro, de repente, já tinha soluções para a inconveniência. Por isso, quando digo que não conseguia pousar o livro, acredita em mim: fiquei viciada. Este é um thriller recente que acompanha Millie, uma jovem empregada doméstica, no seu novo trabalho: manter a casa dos Winchester imaculada. A questão é que, numa casa em que a filha do casal é uma mimada e a mulher é radicalmente temperamental, o marido é o único que mostra alguma empatia pela sobrecarregada Millie. Mas porquê? Ela não consegue evitar perguntar-se como pode um homem tão bondoso estar com uma mulher tão casualmente cruel: que inferno, coitado! Aliás, ela percebe logo que devia ter dado ouvidos ao jardineiro italiano que, sem encontrar as palavras em inglês, lhe sussurra “pericolo” (perigo), na sua primeira semana na gigante mansão. Mas afinal… onde exatamente residia o perigo? Será que a Millie interpretou mal aquele aviso? 

Princípio de Karenina, de Afonso Cruz

Esta história é de uma delicadeza que comove e desarma com a sua simplicidade. Um pai conta à filha – que não conhece – as suas vivências e experiências e, à medida que desenrola a sua narrativa, vamos conhecendo também uma série de outras pequenas histórias de vida inseridas nessa primeira. É um livro lindo que fala do eu, do nós, do outro, de vidas que se tocam, de encontrar perto o que fomos procurar longe. E tem – das coisas mais lindas na escrita de Afonso Cruz – tantas metáforas, tão simples, para explicar o que às vezes as palavras mais complexas não conseguem. Este pai conta a sua história à filha e será que ela o entende? Poderá entendê-lo sequer?

Uma boa leitura torna qualquer bom dia de praia ainda melhor! Não te esqueças é de abusar do protetor solar, que ninguém quer virar lagosta enquanto é engolida por capítulos ainda melhores que os anteriores. 

Qual destas opções te convenceu mais?

#GlitterUpYourLife