Xuxa Meneghel voltou aos palcos no passado sábado, dia 25 de julho, com a estreia da tour “O Último Voo da Nave”, no Nubank Parque, em São Paulo. O espetáculo revisita as várias fases dos mais de 40 anos de carreira da apresentadora, com figurinos idealizados por Marcelo Cavalcante e assinados pelo Atelier Michelly X, a mesma equipa que já vestiu nomes como Anitta, Ivete Sangalo e Pabllo Vittar. Bodies, ombreiras, capas e botas altas voltaram a subir ao palco, agora numa versão mais moderna da estética que Xuxa construiu ao longo de décadas. Mas foi precisamente um desses bodies, com um recorte mais cavado na zona da virilha, que se tornou o assunto do momento.

A polémica
As críticas surgiram quase imediatamente nas redes sociais depois da estreia, com internautas a considerarem a peça demasiado sensual para um espetáculo que junta várias gerações de fãs, incluindo crianças e idosos. A jornalista Monica Salgado comentou o momento, reconhecendo o legado da apresentadora mas descrevendo o figurino como “uma erotização desmedida disfarçada de empoderamento”.
A resposta de Xuxa não se fez esperar, e veio, como é hábito, com humor. Numa publicação nas redes sociais, a apresentadora agradeceu o carinho dos fãs e ironizou com quem criticou o visual, escrevendo que espera continuar a mostrar “o último voo da virilha… ups, da nave”, num trocadilho que rapidamente se tornou viral.

A estilista responsável, Michelly X, também veio a público explicar-se. Mostrou o figurino em detalhe e garantiu que o recorte é, na verdade, mais largo do que o usado por Xuxa nos anos 80, ao contrário do que a polémica sugeria. Segundo a estilista, a peça já regressou ao atelier para ajustes antes dos próximos espetáculos da turnê.
Xuxa: mais do que uma polémica
Para quem não cresceu no Brasil dos anos 80 e 90, é difícil explicar a dimensão do fenómeno Xuxa. Durante quase duas décadas, o programa Xou da Xuxa e depois o TV Xuxa definiram a infância de gerações inteiras de brasileiros, e a apresentadora chegou a construir aquele que é considerado o maior império de entretenimento infantil da América Latina. Foi apelidada de “Rainha dos Baixinhos”, gravou dezenas de álbuns musicais, protagonizou filmes e tornou-se uma das figuras mais reconhecidas da televisão brasileira de sempre.
Essa base sólida é também o que explica a intensidade da reação a esta polémica. Xuxa continua a ser, para muitos brasileiros, sinónimo de infância e nostalgia, o que faz com que qualquer decisão estética à volta da sua imagem gere debate imediato sobre os limites entre reinvenção artística e memória coletiva. Aos 63 anos, e depois de mais de quatro décadas de carreira, a apresentadora continua a mostrar que não tem qualquer intenção de se acomodar às expectativas alheias, seja para o bem, seja para o mal, aos olhos de quem a acompanha.
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