Vivemos num tempo de ritmos rápidos e de agendas muito ocupadas

Cumprimos horários, respondemos a mensagens, resolvemos problemas, trabalhamos, cuidamos da família e tentamos dar resposta a todas as exigências do dia. Além disso, não queremos falhar aos amigos e encontros sociais, não queremos perder aquele concerto, festival ou viagem. Queremos ler todos os livros e ver todas as séries que acabaram de sair.

Tudo isto, mesmo que pareça, em muitos casos, positivo, pode levar-nos muitas vezes a esquecermo-nos de parar, de olhar para dentro, de cuidar de nós. Quando foi a última vez que cuidou verdadeiramente de si?

O Dia Mundial do Autocuidado convida-nos precisamente a refletir sobre esta questão. O autocuidado não é um luxo reservado aos momentos de férias ou aos dias em que sobra tempo. É uma prática diária que nos ajuda a preservar a saúde física, mental, emocional e até sexual.

Muitas vezes associamos o autocuidado a um banho relaxante, a uma massagem ou a um momento de descanso. Embora tudo isso possa fazer parte, o verdadeiro autocuidado vai muito além. Significa reconhecer as nossas necessidades, respeitar os nossos limites e perceber que cuidar de nós é uma forma de garantir que também conseguimos cuidar dos outros de forma saudável.
Autocuidar-se é dormir o suficiente, alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividade física e permitir-se momentos de lazer sem culpa. É aprender a dizer “não” quando necessário, pedir ajuda quando sentimos que não conseguimos fazer tudo sozinhos e aceitar que não precisamos de ser perfeitos. É também não fazer nada, ter momentos de “inutilidade”, ficar no sofá o dia todo ou não tirar o pijama. É quebrar a ideia de estar sempre a produzir ou a fazer algo útil e, aqui não falamos apenas de produtividade laboral. Quantos de nós se culpam porque ficaram em casa no fim-de-semana ao invés de ir à praia? Mas autocuidar-se pode passar simplesmente por não fazer nada.

Do ponto de vista psicológico, o autocuidado fortalece a autoestima, reduz os níveis de ansiedade e stress e aumenta a nossa capacidade de lidar com os desafios da vida. Quando ignoramos constantemente as nossas emoções e necessidades, o corpo acaba por encontrar formas de nos alertar: cansaço extremo, irritabilidade, dificuldades em dormir, falta de motivação ou sintomas físicos sem causa aparente podem ser sinais de que estamos a precisar de parar e olhar para nós.

Também a saúde sexual faz parte do autocuidado. Falar sobre sexualidade continua a ser um desafio para muitas pessoas, mas conhecer o próprio corpo, respeitar os seus desejos e limites, comunicar com o parceiro e procurar informação fidedigna são formas importantes de cuidar do bem-estar. A sexualidade saudável está intimamente ligada à saúde emocional e à qualidade das relações que construímos.

Importa lembrar que o autocuidado não significa fazer tudo sozinho. Pelo contrário, inclui reconhecer quando é necessário procurar apoio junto de familiares, amigos ou profissionais de saúde. Pedir ajuda é um sinal de consciência e responsabilidade, nunca de fraqueza. Cuidar de si não é um ato de egoísmo. É um gesto de respeito, amor-próprio e saúde. Afinal, para conseguirmos dar o melhor aos outros, precisamos primeiro de estar bem connosco.

Artigo por Catarina Lucas, Psicóloga
@catarinalucas.psicologia