De vez em quando fazemos aquela limpeza geral em casa, arrumamos os armários, apagamos pastas antigas do computador que já não servem para nada. Então por que razão não fazemos o mesmo ao feed? Do perfil que só nos irrita ao conteúdo que já não faz sentido nenhum para quem somos hoje, há muita coisa que continua ali por hábito, ou simplesmente por preguiça de carregar naquele botão. Às vezes, um dos melhores presentes que podemos dar a nós próprios é um deixar de seguir sem culpa nenhuma.
Seguimos contas há tanto tempo que já nem lembramos porquê. Foi uma amiga de infância, uma fase qualquer, um algoritmo insistente. E o problema é que continuamos a deixar essas presenças ocuparem espaço na nossa atenção, todos os dias, sem qualquer benefício real. Deixar de seguir é reconhecer que o nosso feed também merece ser cuidado com a mesma atenção que damos à casa ou à caixa de correio.
Perfis que valem mesmo a pena deixar para trás
Há contas que promovem apostas e jogos de azar disfarçadas de “estilo de vida” fácil, prometendo ganhos rápidos que raramente existem. Há também aqueles antigos colegas de escola que, com os anos, se tornaram defensores de causas indefensáveis, e cuja presença no feed só serve para gerar irritação sem trazer nada de novo. Os gurus de autoajuda ou de sucesso financeiro que prometem o impossível, seja perder peso em dias ou enriquecer da noite para o dia, também merecem sair da lista, porque vivem de vender fórmulas mágicas que não existem. O mesmo vale para quem faz fofoca alheia de forma a prejudicar outras pessoas, muitas vezes sem qualquer verificação do que está a espalhar. E há ainda os perfis que só mostram consumo excessivo, hauls atrás de hauls, sem nenhuma reflexão sobre o que realmente vale a pena comprar ou guardar.
A linha vermelha que não devia sequer ser uma questão
Depois há um grupo que nem deveria precisar de justificação: contas que espalham racismo, homofobia, intolerância, violência, misoginia, preconceito ou extremismo de qualquer tipo. Seguir esse tipo de conteúdo, mesmo que só para “ficar de olho” ou por curiosidade, acaba por normalizar discursos que fazem mal à sociedade e a nós próprios. Não há debate a ter aqui, só um botão a carregar.
Um feed mais leve é um dia mais leve
O que entra pelos olhos todos os dias molda, mesmo que de forma subtil, a maneira como pensamos e nos sentimos. Um feed cheio de irritação, comparação ou negatividade tem um custo invisível mas real. Fazer essa limpeza de vez em quando não é vaidade nem intolerância, é simplesmente perceber que temos o direito de escolher com que ideias e imagens queremos conviver todos os dias. E, tal como acontece com os armários, o resultado costuma ser um alívio quase imediato.
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